domingo, 22 de setembro de 2013

Primavera

"Quando eu flor
Quando flores
Quando flor e ser
Quando flores ser
Quando florescer...

Quando eu for.
Quando fores.
Quando eu for e ser.
Quando eu florescer:
Primavera.

-Andréa Mello-

"

sábado, 14 de setembro de 2013

Sutil-mente

O dia desponta à altura das estrelas enclausuradas no breu do vasto céu.
A noite é a entranha da luz condensada em corpos celestes que dançam inertes aos olhos adormecidos.
A condição da luz é o escuro.

Vão-se os anos de escravidão, onde a prisão nada mais é do que achar-se preso...
Nascemos com um par de asas prontas e uma corrente solta nos pés:
Desatemos os imaginários nós de nós!
Não nos sirva de caminho as pegadas fincadas no efêmero chão de areia deste mundo.
O que nos resta para que sigamos livres?

A hora da espera freia o riso frente ao espanto do desconhecido.
O intervalo é semente que cresce em silêncio ao sabor da amarga expectativa do tempo.
Do sombrio ventre, a aurora da vida!
Os espinhos brotam para que se cumpra a missão das rosas.

Indissolúveis são os encontros atemporais e as horas não vividas.
Tudo o mais se deteriora no mesmo segundo em que nasce.
Tudo é de verdade quando deixa de existir na densidade da matéria que aprisiona.

-Andréa Mello-

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Sonhos 2

"Rua deserta em uma noite povoada de sonhos.
Ficção submersa na realidade.
Cenário mágico.
Da chuva, colhem-se estrelas: Sentimentos de céu!
Da explosão atônita, mil sóis! Metades que se beijam.
Do ventre, a vida:
Borboletas à luz da emoção...

Dias que não descansam no horizonte,
Estações que proíbem invernos,
Ondas que não se rendem a limites,
Momentos felizes que desconhecem finais...

Nunca mais calem-se os risos
até que eles próprios sejam esquecidos!
Nunca mais caminhe-se sozinho
até que no caminho infinito desapareçam os rastros da estrada..."

Antes de ti, não havia dia o suficiente para calar os meus breus...


-Andréa Mello- (30-08-13)



quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Sonhos

"O doce perfume da mulher amada exalando vida ao vento - prenúncio de amanhecer...
A alma vibra com a beleza deslumbrante do dia,
que desperta em plena noite - o milagre desponta na aurora!
Jatos de luz que ardem no espaço traçam um desenho mágico no horizonte, num convite à eternidade.
Tempo que insinua o êxtase dos deuses enamorados, repletos de poesia, embevecidos com o encanto do amor.
Tempo que resgata o tom de uma nota perdida e inspira uma canção esquecida nos ruídos da rotina.
A alegria beija o céu e sela a terra num rito de passagem de uma nova estação que pousa suave.
Férteis são os caminhos!
É primavera, despertam as flores!
Presas em suas raízes, cumprem seus destinos: Liberdade!
Um olhar luminoso e tenaz mira a fonte de um sagrado mistério, que jorra incessante e sacia a sede daquela que bebe dela...
Há brilho, há festa, há Paz - Oh, terna tertura eterna!
Há fôlego em cada inspiração cansada: Renovação!
Os sonhos brindam, trazendo à existência uma aliança eterna,
cumprindo o papel de se tornar realidade...

A ti, que me roubou de mim, eu faço o último pedido: Jamais me devolva...

-Andréa Mello-P.(28-08-13)


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

"O amor é como um gigante adormecido. Quem ousa despertá-lo sem que possa alimentá-lo?" -Andréa Mello-

segunda-feira, 9 de julho de 2012

"As alegrias mais autênticas acontecem no momento em que nos encontramos plenamente esvaziados de desejos,de passado e de futuro.É quando deixamos que o instante seja tocado à sua própria maneira..." -Andréa Mello-

quinta-feira, 12 de abril de 2012

"Em seus olhos o céu -
O último amanhecer.
Em sua boca o mel -
A doce melodia.
Na paisagem do corpo,
a reta de chegada.
O coração há muito descansa
da longa caminhada.
Te encontro no distante dos meus sonhos...
Te amo na esperança do futuro.
Ter você, mesmo se longe.
Te sentir pelos poros da alma...
Ah, se um dia a dor me deixar
e deixar de lembrança só o amor em seu lugar..."

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

26.1.12

"Hoje toda a imperfeição se espelhou na mais perfeita forma de vida...
Hoje tudo fez sentido, a partir do que nunca foi respondido.
Hoje a chuva não caiu, o vento não me embaraçou, a noite não assombrou...
Hoje se tornou todo o futuro que me resta - ele está em meus braços...
Hoje o relógio despertou o amor."

(Andréa Mello)
"...Porque, na verdade, todo o amor que escolhemos é a alma gêmea da nossa essência..."

(Andrea Mello)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O dia em que o amor não viveu

"O dia em que o amor não viveu
foi o dia que de certo morreu
a semente que não germinou.
O dia em que o amor não viveu
foi o fim do que não aconteceu
e a gente só sabe que viveu,
e nem sabe porque acabou.
O dia em que o amor não viveu
foi o amor que chegou pelo avesso,
foi o revés de um amor sem começo,
alegria que não teve preço.
O dia em que o amor não viveu
não colheu frutos, não floresceu.
Calou os risos e os prantos meus,
Enterrou o futuro sem dizer adeus."

-Andréa Mello-

sábado, 7 de janeiro de 2012


"Tenho sede. Vou chorar...saciar-me em minhas lágrimas...
Acolher meu próprio pranto, provar minha imensa dor...
Fazer do veneno o substrato da minha cura.
Vacinar-me do meu próprio mal..."

-Andréa Mello-

Beijo


"Beijo só tem gosto se tiver sentimento, vontade profunda e verdadeira; intenção de futuro, mesmo que esse futuro seja tão breve quanto o próprio beijo. Beijo sem profundidade torna-se insosso que nem xuxu preparado em água e sal: Não tem gosto! Quero beijos desses que tem amor, que tem emoção, que faz o coração disparar.Que faz o coração bater acelerado, igual a tempero apimentado: forte, ardente, e bom.
Chega de beijos mecanizados que não retém um romance por serem tão fugazes e sem razão de ser. Chega de beijos viscerais, que não expressam o seu próprio valor porque não têm ali a alma. Não têm solidez, e por isso evaporam numa noite, como fumaça que desaparece no éter, numa fração de segundos.
Que seja força motriz, que estimule minha mente, que revitalize os meus sonhos, que acorde minhas partes adormecidas. Quero beijo que revele, que acenda, que aqueça, que inspire, que transpire, que ilumine, que seja poema, verso, prosa, que seja serenata, canção e melodia.Quero beijo que adormeça as minhas dores e que desperte o que há de mais sagrado em mim..."

-Andréa Mello-

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Meditação


Eu calo... e até quando calo, falo...
A mente se agita pelos desejos desenfreados
A vontade indomável tortura meu corpo inerte.
Paraliso-me em minha mudez expressiva, num protesto ousado.
Enxergo a vastidão com meus olhos cerrados.
Exalo o cheiro de orvalho que procede da aurora.
E eu calo... e falo, até quando calo.
E Quem ouve permanece no centro,
e Quem responde permanece lá dentro...E fala, até quando cala...

-Andréa Mello-

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Anseio da Alma...


"O anseio de uma alma que busca por outra alma é o mais profundo desejo da terra. O pensamento é de plenitude, o sentimento é de eternidade.
É a busca da espera: silenciosa e dolorida. Aquieta-se para suportar a decisão demorada do tempo; dói porque já sente a saudade do que ainda não foi. Tem urgência da presença inteira para completar a própria metade, para tapar o vazio desordenado que agoniza em sua falta de sentido.
O anseio de uma alma que busca por outra alma é o mais profundo sonho da terra. Um sonho que se mantém ileso frente às ilusões e reservado a um só coração.Que é feito de asas e segue em busca do encontro com o mais alto estado de êxtase.
O anseio de uma alma que busca por outra alma é o mais profundo alicerce da terra.
Nasce das entranhas, cria raízes e deseja o sabor do fruto no tempo certo. Almeja a segurança de uma morada verdadeira: o outro coração."

-Andréa Mello-

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Escrevo


"Escrevo para despir a alma, para devolver-me a calma e anestesiar meus sentidos.
Escrevo para fugir de mim, para encontra-me em alguém, ou em algo, ou em nada.
Escrevo para perder-me na vastidão dos meus sonhos acumulados e sufocados pela friagem lá de fora dos meus versos.
Escrevo para ousar-me entendida mesmo que jamais compreendida...
Para falar uma língua inventada em meu próprio idioma...
Escrevo para brincar com a tristeza, fingindo ser alegria.
Para ousar a alegria e tê-la de fato.
Escrevo para desabafar os meus pertences sigilosos, o meu mundo vasto, tudo o que há dentro e fora e sempre e nunca...
Escrevo para me tornar o que não seria se as palavras não me alcançassem.
Escrevo para ser a personagem principal de um mundo fictício, tecido na trama real do dia a dia.
Escrevo para colorir o preto e o branco quando as tintas falham e a paisagem se torna opaca...
Escrevo para voar em meus pensamentos cheios de asas, e aterrizar em algum outro...
Escrevo para encenar a minha própria biografia.
Escrevo quando a alma quer explodir..."

-Andréa Mello-
Seu caminhar era tímido, medroso, por causa da valentia que perdera um dia. Sua coragem levou um golpe quando se preparava para voar mais e mais alto. Quebrou uma asa; agora apenas suportava, com sofreguidão, o vôo curto a qual fora sujeitada. Ficou impedida de ganhar altura, foi tolhida de sentir mais dor, caso caísse de novo. Estranhamente a dor a movia e ao mesmo tempo o medo a freava. Era esse o sinal que a fazia sentir mais viva porque era da própria dor que ressurgia resplandescente, como uma pérola...a dor a curava... Sua feridas cicatrizavam sua alma, como o amor que dói para se saber vivo.. Lamentou a visão do universo revelada lá do alto, que só ela poderia ter... Descobriu que a alma só é capaz de se apaixonar justamente no primeiro instante, no primeiro segundo em que o interessante é descortinado pelo olhar. Parecia ser esse o ápice da paixão: quando ela brota!E depois ela vai descrescendo cada vez que cresce, porque do contrário acho nunca acabaria! Bem, a paixão é contraditória e entendê-la é infinitamente pior do que entender as sua próprias contradições...É difícil, é como contar um céu cheio de estrelas.Depois da paixão, aos olhos limitados, parece que o que sobra é um sentimento qualquer. Diz-se por aí que se chama amor, mas o desprezam como se não fosse nada. Diz-se que é algo tão morno que não vivê-lo seria, talvez, uma opção sensata. Parece muitas vezes não significar ‘nada’.É tão sutil que passa desapercebido, tamanha a sua profundidade. Senti-lo requer refinamento da alma. Parece que poucos são capazes de serem agraciados pelo seu toque, pelo seu segredo maior. Tesouros são bem guardados e geralmente têm acesso difícil, porque se sabem preciosos. Não que o amor seja despresível, não que o amor não seja o maior sentimento do mundo, o mais pleno, o mais completo, mas não brota em qualquer coração, não permanece sem ser provado, até a última gota, lentamente, de gole em gole...se muitas vezes não é encontrado nas vãs ilusões em que às vezes se esconde, não poderá ser percebido - É preciso ousadia. Amor é pra quando se decide voar alto, não importa o risco do tombo; A paixão se tornou o amor que se acha que sente. Amor de verdade é traduzido por monotonia, tédio por aqueles que preferem não ousar. Tornou-se uma espécie de domingo chuvoso, uma espécie de nada.

-Andréa Mello-

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Con-vence-te!


"Con-vence-te que o céu é uma maneira de amar,
con-vence-te que o céu é uma forma de 'estar'.
Con-vence-te que o céu é um pensamento liberto,
Con-vence-te que o céu está dentro, está perto!
Con-vence-te que o céu é todo meu!
Con-vence-te que o céu também é seu!
É o passo seguinte depois da ilusão.
É o sopro sutil em uma bola de sabão..."


-Andréa Mello-

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

"Perdida no tempo, me reintegro nas idades que os anos me acrescentam.
Cada experiência rejuvenece a alma e remodela as minhas escolhas.
Brinco de fazer careta para os rabiscos do tempo em minha própria face.
O sorriso com contornos definidos
Confirmam as alegrias distribuídas.
No rosto, a estampa de que vivi, senti e pulsei profundo..
As tristezas lapidadas pelo tempo tornam-se diamantes frente a profundidade do olhar...
As lágrimas evaporam uma a uma, e agora habitam os céus como gotas de chuva,
Refrescam minha face, saciam minha própria sede de Ser..."

-Andréa Mello-

Corda Bamba


"Entre um sim e um não,
Me equilíbro num talvez.
Sigo na corda bamba...
Entre ir ou não ir,
Páro no meio do caminho.
Se ganho, eu dou.
Se perco, eu dei.
Se acerto, Eu Sou.
Se é certo, eu sei.
Recuo para avançar.
Se corro risco, eu me arrisco,
Caminho no trilhos do trem...
'Entre a vida e a morte',
O que há?
É lá?
É aqui?
É outro lugar?
Dentro de toda a profundidade,
Há um abismo adormecido..."

-Andréa Mello-

quarta-feira, 31 de agosto de 2011


"Sintonia perfeita é quando o silêncio não faz nenhum tipo de ruído..."

-Andréa Mello-

domingo, 21 de agosto de 2011

Mente que mente

"A mente, mente.
Abruptamente mente;
Disparadamente mente;
Inconsciente-mente.

A mente, mente.
Subitamente mente;
Insistententemente mente;
Surpreendente-mente.

A mente, mente.
Mente dor-mente. Mente.
Mente de-mente. Mente.
Mente profunda mente."

-Andréa Mello-

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Livre arbítrio


"Se é o coração que bate, porque ele mesmo apanha?
Se nele pulsa o amor, porque não expulsa de vez a dor?
Coração deveria ser sede da razão,
Sentir menos emoção,
E vir com manual de instrução.
Porque nem sempre se ama o que se deveria amar?
Se ao menos amar de mais fosse sempre bom...
Se ao menos não sentir amor não esvaziasse tanto...
Coração machuca sempre é nos extremos...
Coração deveria ter livre arbítrio."

-Andréa Mello-

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Balanço ao vento


"Avistei um balanço solitário
Balançando sozinho ao relento.
Num movimento continuo, ia e vinha,
Embalado num dia cinzento.
Ninguém brincava de balançar.
Quem balançava mesmo era o vento!
Aproveitava intensamente o momento,
Brincava feliz de rodopiar,
Livre, trépido e fagueiro
Gostava mesmo era de se mostrar!
E quando cansou da brincadeira
Foi-se apressado como um cometa
O vento seguiu seu destino.
Foi morar nas asas da borboleta."

-Andréa Mello-

Encontro

"Lentes de aumento nos detalhes.
Foco direcionado no momento.
Fotografias coloridas reveladas aos meus olhos...
Cada cena em câmera lenta...
Volto, pausa, avanço...
Lembro, relembro.
Stop!
Flashes na memória em preto e branco –
Flashback!
Congelo a cena final...
Come back!

-Andréa Mello-

domingo, 14 de agosto de 2011

HAI-KAIS

"Insônia.
Sonho acordada
Enquanto a noite cochila."


"Sua imagem
Acaricia meu pensamento.
Sorrio pro vento."



"Haikai
Consola a tristeza
Da lágrima que cai."



"Tristeza penetra
Entra pelos fundos
E sai pela fresta..."



" O luar reflete no mar:
Lua cheia de leão
E eu vazia de você."



"Agosto.
Desgosto.
Ao gosto de Deus."


"Acho graça:
A graça da vida
É de graça."


-Andréa Mello-

sábado, 6 de agosto de 2011

Vem!

“Ei, eu quero ver seu outro lado.
Vem, vou te curtir pelo avesso.
Dos nós faremos laços. De nós, nosso presente .
Ei, vem me mostrar o seu sorriso.
Vem, que eu tô a beira do abismo.
E nossas vidas vão se encontrar para eu não mais me perder.
Ei, eu quero ser sua metade.
Vem, pra minha parte ser inteira.
Nosso encontro não são em vão - dos dias vãos se vai a solidão. “

-Andréa Mello-

Excessos


Excessos sugam a fluidez da inspiração que respira na leveza do equilíbrio.
Excessos sufocam a liberdade dos atos, dando lugar à estagnação dos sentidos.
Excessos borram o leve colorido do outro, substituindo-o à uma opacidade quase agressiva.
Excessos assaltam severamente uma tranquilidade, enquanto entopem as artérias da criatividade.
Excessos produzem barulho ao invadirem o mais sagrado silêncio.
Excessos são rios de águas tumultuadas direcionando-se a nenhum lugar específico.
Excessos são caricaturas pobres da verdade; articulam exageros em sua excentricidade, fugindo ao bom gosto sereno da reserva.
Excessos frustram o balanço das horas - os segundos saltam aflitos ao desejo de adiantar um ritmo natural das coisas.
Excessos anulam processos profundos que rumam à um destino inadiável.
Excessos lança-nos às margens da estrada enquanto perdermos de vista o caminho do meio...
Excesso de presença produz cansaço; excesso de ausência produz saudade; excesso de saudade vira esquecimento..."

-Andréa Mello-

Pedido


"Vivo na antitese de meus dias.
Tornei-me cega de tanto enxergar.
Cega ao mundo, contemplo o seu mundo...
Percebo a luz que brilha em sua face cintilante, adornada com um ar convidativo a morar no seu templo, onde habitam as suas mil maravilhas.
Escuro está o nosso futuro, embora ainda seja clara a minha visão de sua alma por mim intocada, tal como a virgem que se guarda ao seu amado.
Observo com detalhes todas as camadas, os níveis, os cômodos que guardam seus tesouros mais profundos e silenciosos.
Suas alegorias são as tentavivas acertivas que me levam a contemplar Deus através de um diálogo encharcado de infinito.
Atenho-me a permanecer na antecâmara de sua morada, antes de ouvir o seu doce chamado a me conduzir por um portal de felicidade a adentrar em seu cômodo mais íntimo e fugidio, a fim de que eu acomode as bagagens pesadas de minha existência, abarrotadas de passado.
Permita-me aposentar os calçados que me conduziram a lugares ermos.
Conceda-me descarregar os excessos que entopem as vias de acesso a completude de mim mesma.
Permita-me encostar meus sonhos no travesseiro do seu peito, para que se desperte toda a nossa realidade...
Renova os meus planos.
Reveste a minha verdade.
Deixa-me existir no seu consolo."

-Andréa Mello-

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Querer


Neruda habla por mí esta noche. Estoy agotada por su ausencia ...


Querer

"No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.

Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.

En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego."

(Pablo Neruda)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Diálogo interno...


[Diálogo:]

- Diria eu esta noite: Mais uma noite! ou menos uma noite!

- Ter é ao mesmo tempo perder, porque do momento que nasce,tudo começa a morrer...

-Então, nada na verdade é?

-Se deixa de existir, verdadeiramente é?

- Não. Mas e o amor?

-Esse sim, se não pode acabar, não deixa de existir. Logo somente ele é!

-Mas e o meu amado que partiu?

-Ele partiu. Deixou de existir pra você, mas o amor não.

-Não?

-Não.

-E como faço pra tê-lo de volta?

-Quem? o seu amado?

-Sim.

-Ele acabou, mas seu amor sempre será!

-E como faço pra sentir esse amor?

-Ah...Muda ele de 'lugar'!

-Andréa Mello-

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Vem!


"Vem, prova meus olhos. O resto, deixa.
Não lhe dou inteira e nem meus outros sentidos -
Não faz sentido o alvo a não ser quando tu miras -
Há eternidade no momento concedido.
Há você inteiro em sua metade...
Vem, devolva-te! Olha e sente!
Conhece o teu ser desde mim.
Rasga o véu que te separa de ti..."

-Andréa Mello-

Mutante


"O gosto tornou-se desgosto num gole de café...
O doce se fez amargo na palavra que calou.
O destino virou desatino nos atos desatados.
O começo encontrou o fim do infinito imaginado...

Salve o amor!"

-Andréa Mello-

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Tesouro escondido


"À vista do cego, tesouros tornam-se bolas de gude...
Uma criança não usufrui de um valor, mas daquilo que tem valor.
Incompleta é a visão dos que engatinham pela senda da vida à procura do verdadeiro amor.Por anos seguimos atolados no pântano das contrariedades e rejeições próprias. O outro torna-se experiência viva de um amor distorcido, quando o amor verdadeiro ainda é incapaz de ter sido potencialmente experimentado. De início, negar o amor, mesmo que inconscientemente, parece necessário - sua imensidão nos oprime - liberdade torna-se prisão para aqueles que não têm asas.
Enxergá-lo é a visão mais clara e mais complexa dos olhos; seu brilho não está disponível à todo o olhar. Parece quase necessário um coração ser moído até o abismo, para que, como prêmio, seja desenterrado das entranhas.
Reconhecer o amor através do seu antídoto dor foi eleito o passo decisivo para que o conheçamos mais a fundo. Vislumbramos a Unidade pela visão da dualidade, tal como o fogo que ressurge da fricção de dois corpos.
E então, nascido da lama, torna-se como a flor de lótus mais brilhante pulsando vida abundante. Não se contamina, mas se renova a todo o tempo. Toma de volta sua própria essência, tornado-se autêntico pela sua incapacidade de ser diminuído. Reina com majestade porque agora pode ser multiplicado.
Lavado pelas lágrimas de outrora, torna-se tão branco e puro como o mais perfeito diamante; e agora, então, o seu valor pode ser entendido e usufruído plenamente..."

-Andréa Mello-

domingo, 31 de julho de 2011

Revanche


"De joelhos está minha agonia.
Dá-me um canto ínfimo do seu olhos para abrigar o meu olhar perdido!
Toma uma fração do seu segundo para renovar-me no descanso do teu abraço.
Lança o calor da sua presença à esperança congelada pela história do passado.
És tu a moldura a dar forma à minha face corroída pela dúvida -
Brilhe o meu semblante no espelho do seu sorriso!
Migalhas tornaram-se os meus dias desgastados pela fome de ti .
Ouso resgatar minha ousadia para provar desse amor provado pelo tempo.
Imploro-te: Toma esse amor num só gole, como quem bebe da fonte santa; livra-o da sentença cruel estampada nas margens de um último suspiro...
Salva-me do descaso da indiferença amarga e corrosiva e aceita a minha mão sobre a sua entrelaçada na aliança reluzente do infinito.
Imploro-te: Traga-me cinco minutos de sua eternidade!
Saia esse amor do cativeiro para fazer de nós o seu próprio prisioneiro...
Vem, minha alma te chama...
Vem! Ousas fugir? Não vês que toda a estrada é feita com o que levas de mim...?"

-Andréa Mello- (1/08/2011...)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A Thi...


"Você disse que partia , mas no fundo eu não sabia que na verdade o que partia era o meu coração.
Seus olhos não me fitam mais, suas palavras não repousam mais suave em meus ouvidos...
Você se foi decidido a não mais voltar?
Eu pensei que amor durasse pra sempre, mesmo quando não se tem que se ama.
Pensei que desistir do amor era como desistir de viver - De que você desistiu afinal?
Achei que você me teria por perto, mesmo que distante.
Mas você se foi sem sequer implorar por mais uma chance,sem sequer entender que não há uma última tentativa para se tentar o amor, porque no momento em que perdemos para o amor é que ele decide vencer por nós..."

-Andréa Mello-
Beijo só tem gosto se tiver sentimento, vontade profunda e verdadeira; intenção de futuro, mesmo que esse futuro seja tão breve quanto o próprio beijo. Beijo sem profundidade torna-se insosso que nem xuxu preparado em água e sal. Não tem gosto. Quero beijos desses que tem amor, que tem emoção, que faz o coração disparar.Que faz o coração bater acelerado, igual a tempero apimentado: forte, ardente, e bom.
Chega de beijos mecanizados que não retém um romance por serem tão fugazes e sem razão de ser. Chega de beijos viscerais, que não expressam o seu próprio valor porque não têm ali a alma. Não têm solidez, e por isso evaporam numa noite, como fumaça que desaparece no éter, numa fração de segundos.
Que seja força motriz, que estimule minha mente, que revitalize os meus sonhos, que acorde minhas partes adormecidas. Quero beijo que revele, que acenda, que aqueça, que inspire, que transpire, que ilumine, que seja poema, verso, prosa, que seja serenata, canção e melodia.

"Vazio no peito.
Mais um dia, um fim de semana, e você não vem.
Você, que sai mundo afora e não entra no meu.
Você, meu futuro mais próximo, meu destino traçado...
Abraça o meu beijo, beije-me em seu abraço - sinto falta de ti.
Choro seco, silêncio profundo, olhar fitando a estrela que não brilhou.
Seguem meus dias espelhando a noite de minha alma.
Não encontro nenhuma pista. Não há sinal do seu paradeiro. Tudo é breu.
Voa vento!E que a prece da noite seja ouvida como a mais bela declaração de amor..."

-Andréa Mello-

segunda-feira, 27 de junho de 2011


Gente bonita no dicionário mundano significa: gente Rica, (e/ou) bonita, (e/ou) famosa, (e/ou)poderosa, (e/ou) glamourosa, feia e rica, feia e famosa, feia e poderosa, feia e glamourosa... Sim, se os feios possuem algum quesito acima acrescido à sua “não beleza” exterior (eu estou dizendo EXTERIOR), são considerados LINDOS! A conta bancária parece reluzir em seus rostos como fonte de beleza eterna. O glamour, a fama brilham como diamante aos olhos dos embriagados mundanos. Suas consciências dormem.
Cegos espiritualmente, muitas vezes cambaleamos a procura de faces belas, porém totalmente desprovidas do brilho dos olhos... Buscamos corpos esculturais, desprovidos da graça de um gesto imaculado de bondade...
Se pudessemos enxergar verdadeiramente o que muitas vezes se esconde por detrás de muita beleza exterior por aí, ficariamos estupefatos. Jesus se referiu a essas pessoas como túmulos caiados: Bonitos por fora, mas cheios de imundície por dentro. Cheios de podridões e superficialidades. Isto é: Pessoas verdadeiramente feias! Totalmente robotizadas por um mundo perverso, que nos sugere vender nossas almas em troca do ouro do tolo. Pessoas que se sujeitam a viver do que não são e a viver o que não são pela simples aparência de parecer ser. Que se disfarçam na própria ilusão para se sentirem valorizadas perante sua insignificância fútil intrínseca! Que procuram se passar pela glória de ser ‘trigo’, mas nada mais são do que ‘joio’: Improdutivos em essência. Que se misturam com multidões de iguais para tentarem se sobressair como diferentes frente à ignorância dos mesmos...que foram destituídas de valores por livre escolha da desconexão com o Divino. Que têm vergonha de ser educados, amorosos, gentis, espiritualizados e assim, vão permanecendo fossilizados na brutalidade do próprio ser. Mudaram seus vocabulários, seus hábitos, seus gostos, suas maneiras numa tentativa de se ‘modernizarem’ e de se igualarem à massa. Seu nome passa a ser LEGIÃO, porque são muitos! Parecem mais ter mais uma alma grupal como a dos cardumes, porque agem com a consciência do bando... Passam neste mundo sem deixar pegadas firmes, desaparecem juntamente com o corpo que tomba em vão e segue em seu repouso eterno a sete palmos do chão! Dessa maneira, se afastam dos valores essenciais, e então, corrompidos pela perversidade e acostumados com o mesmo, passam a enxergar tudo ao contrário do que é de fato: o feio passa a ser belo, o belo passa a ser feio, o vulgar passa a ser normal. Seus sentidos enlouqueceram! O que julgam e discriminam não passa de um auto julgamento e do valor atribuído a eles por eles próprios, ainda que velado e não confesso. E assim vão seguindo, abafando cada vez mais a própria Luz interior.
Reclamamos da falta de amor verdadeiro que nós mesmos temos extinguido em troca de paixões fabricadas por um drink, por uma noite de vidro que se espatifa diante de cada olhar que se abre na manhã seguinte.
Deixamos penetrar em nossos ouvidos uma canção prostituída de Lady Gaga, a cantamos quase como uma prece, e ficamos incomodamos com o silêncio puro, divino, renovador que fala alto ao coração a cada pausa meditativa que a noite de sono nos sugere.
As lembranças de Deus tornaram-se lapsos de memória, cada vez mais esquecidas dentro de nós mesmos. Lembramos de Jesus no dia de Natal somente como uma referência a nosso próprio egoísmo e esquecemos de lembrar de Sua presença e de Seu presente, que na verdade é devolvido à nós mesmos, e que o único presente que podemos lhe dar é o nosso retorno à Verdade, ao Amor e à Vida em excelência.
Temos trilhado caminhos de Morte. Morte de tudo o que é belo, verdadeiro, eterno, imperecível. Morte do corpo e da alma. Temos preferido enxergar na escuridão, sujeitos a cairmos no abismo profundo e irrecuperável de nossas almas. Trocamos 70 anos de miséria pela eternidade da Glória. Compramos a miséria da velhice em troca dos desejos desenfreados pela nossa boca e ventre. Ao longo dos anos vamos fazendo de nós depósitos de doenças e misérias, e no fim, culpamos o Alto pelos nosso sofrimentos fabricados por nossas próprias mãos. Vivemos com muito pouco, buscamos muito pouco e nos sentimos contraditoriamente saciados em meio ao vazio que, no fundo, sabemos. Sentimos a plenitude do vácuo, como se ele realmente tivesse o poder de nos preencher. Somos ricamente pobres. Somos tudo ao contrário do que realmente É.
Ascendamos uma Luz enquanto é tempo, como a estrela solitária que lembra à noite o poder do seu brilho infinito...


(Andréa Mello)

quinta-feira, 26 de maio de 2011


Sua presença é assim, tamanha, que o coração tá ficando apertado,como pé que não cabe no calçado - preciso te arracar de mim!

-Andréa Mello-

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Livramento


“Num ímpeto, fora como um rodamoinho, tragando o sagrado que eu mantinha guardado em meu peito.
Meu templo, onde permanecia o maior dos sentimentos, fora subitamente invadido por palavras enlouquecidas pela frieza que saía de uma sentença cruel.
Me senti dilacerada a sangue frio, sem ao menos ser anestesiada por uma explicação coerente com o ato que me atou à dor tamanha.
Notei que passava-se de miragem toda a visão do futuro que eu acolhera em meu mais tenro pensamento e embalava todas as noites, cuidando para que crescesse em glória.
Percebi que um sonho agonizava prematuramente e morria ali diante de cada lágrima redentora que me tomava a face, ao mesmo tempo que limpava o sangrento coração.
Perdi o chão, como se o meu mundo tivesse afundado debaixo dos meus pés numa fúria cruel e sem sentido. Minhas palavras abandonaram meus pensamentos, e assim, confusa e confundida, resolvi usar o ponto final antes mesmo de começar uma frase.
Ouvi e calei. Encerrei ali para sempre os meus diálogos e enterrei no mesmo momento alguém em vida, por legítima defesa, pra que eu pudesse viver tranquila.
Sem mais rastros, sem mais restos, sepultei os mínimos detalhes: Nunca mais! Que dor e que alívio! ‘Nunca mais’ doía, ‘nunca mais’ libertava. ‘Nunca mais’ era como morrer e renascer. ‘Nunca mais’ era como perder uma batalha mas ainda assim continuar viva para ganhar outra.
Aprofundei-me no mais íntimo do meu ser com se eu tivesse sede de mim mesma. Meu silêncio ressoava ecos de paz e consolo.Encontrei Deus; ganhei asas quando perdi o chão.
Naquele momento pude enxergar de cima tamanha pequenez. Não perdi nada que pertencesse à minha alma , pensei. Perdi apenas uma ilusão.
Agradeci o passado, abençoei o presente, sorri para o futuro . Ele já está a caminho...

-Andréa Mello-

segunda-feira, 28 de março de 2011

Jardim


"Flores para lembrar-me mais amada e desejar-me mais amável...
Flores em vida pra lembrar-me: Fique!
Flores na morte para lembrar-me: Volte!
Trago-as todas na alma - fragrâncias de eternidade.
Dentro de mim vive um jardim."

-Andréa Mello-

quarta-feira, 16 de março de 2011

Procura-se um olhar


Procura-se um olhar que penetre nos vazios desabitados de mim e me torne plena por um instante. Um olhar sereno como o mar pacificado pelas ondas que dormem tranqüilas em auto mar.Que esse olhar me esvazie das impressões do mundo lá fora a atar-me às ilusões desenfreadas.
Que seja ele o código secreto a acessar-me os encantos adormecidos que me ausentam do verdadeiro amor e me tolhem do tempero de um beijo que sacia a boca e alimenta o espírito. Que arranque de mim o sorriso abafado pela sinfonia desafinada pelo choro que arranha o coração.
Que faça calar para sempre a tristeza velada que insiste em acompanhar-me nos momentos de alegria efêmera a vaguear pelas ruas. Um olhar que me salve dos murmúrios, dos passos vãos, dos dias nublados, da desesperança, dos caminhos ásperos, das lágrimas cansadas, das noites frias, dos perigos,dos abismos.Um olhar que me conduza ao que há de mais belo a ser vivido e me convide a nunca mais voltar.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

ALMA GÊMEA


"Alma Gêmea,
Onde você está ? Enquanto o incessante vento traz meus presságios de um futuro incerto e meu coração anseia por mais emoções. Como você está ? Enquanto imagino-a como uma perfeição e sinto-me flutuando nas nuvens. Como você é ? Pode não ser a que idealizo, mas se a sintonia das nossas mentes se equipararem, em harmonia estará meu coração. Quem você é ? Não importa onde esteja, quem seja ou o tempo que leve, tenho certeza de que um dia nos encontraremos."

(Marcio Masaki Onodera)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Decreto

"Esqueço de vez o passado, rasgo o véu de meus olhos cansados de meias verdades e ilusões. Meus passos seguem em direção ao amanhã, e tudo é transmutado - novos olhares eu lanço ao que vier pela frente. O destino não será mais um caminho a ser percorrido, mas um lugar habitado pelo novo, onde meu coração descansa em paz. Apago as pegadas que foram deixadas nos meus pés por todos os passos cambaleantes e incertos da estrada e os rastros alienados de mim. Apago as causas e os efeitos de meu passado para que não ecoem no meu eterno agora - sementes do meu futuro imaginário.
Escrevo a lápis um novo capítulo de minha história. Uso a borracha para apagar os erros que fatalmente surgirem, e a caneta somente pra que fique selado o meu nome e o de quem assinar em baixo..."

-Andréa Mello- 8/02/11

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Desejo


Hoje me encontro dividida entre o que sou e o que quero ser ao seu lado. É como se eu não mais vivesse inteira antes que o futuro que nos espera possa vir nos abraçar dentro do nosso próprio abraço e nos serenar a alma.
Hoje estou às margens de mim mesma, afogada num mar de emoções. Náufraga de uma mistura de saudade e ansiedade que acontece quando o coração quer, mas o corpo não pode. Invento momentos na mente, teço-os com carinho, brincando de ser Deus, na tentativa vã de transformar a suavidade de um beijo fictício, feito por materiais sutis da mente, em realidade feita de matéria bruta, embora delicada...
Hoje estou como ontem, vivendo as delícias de um tempo passado que jamais passou, conservando os momentos preciosos de tempos dourados.
Sinto como se as horas não mais avançassem, como um protesto de sua ausência.
E se tudo hoje é demora, é porque um dia as horas andaram depressa,como se quisessem alcançar abruptamente o nosso destino maior, a fim de nos garantir um porto seguro.
Encontro-me no futuro, e bem longe de mim mesma, porém mais perto de ti. O presente não me oferece presentes e se afastou de mim, o ‘aqui, agora’ é unicamente a sua ausente presença viva, em carne viva...
Hoje também sou melodia e canto o amor em minha alma. E de meus olhos, vejo a vida colorida e mágica, como nos contos de fadas.
Hoje dói em mim uma dor do parto, misto de dor e prazer, de esperança e alegria, por saber quanto amor a espera...
Hoje me encontro dividida entre o que sou – plenitude-
E o que quero ser plenamente...
Hoje quero ousar-me matemática: somar-te à mim para dividir o amor e multiplicar as alegrias... e sigo contando as horas para estar junto a ti.

Andréa Mello

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Reconhecimento e gratidão...


Mais um ano termina.
Momento de reflexão, de limpar a casa, tirar a poeira, resgatar o essencial que estava perdido...jogar fora os lixos mentais, emocionais, agradecer a Deus pelos momentos bons e pelos momentos ruins, porque um é presente, o outro é aprendizado e ambos são bençãos! Momento de agradecer à tudo e às pessoas especiais que conhecemos, as que sempre caminharam conosco e as que se foram de nossas vidas para sempre. Porque todas são igualmente importantes, Tiveram seu tempo produtivo para construir um pouquinho da nossa estrada que nos leva à vitória. Estão sempre presentes quando têm que estar e se vão quando têm que tocar em outras vidas...
Enquanto isso, Deus age incansavelmente: traça o tempo exato de cada coisa, une os destinos, apara as arestas, aponta caminhos com bússola e mapas para nunca perdermos a direção, planeja sempre o melhor para nós, mas às vezes nosso olhos embaçados não conseguem enxergar...
Ele é aquele que dá forma aos esboços traçados pela nossa própria vontade, que muitas vezes é tão falha, tão cega, e tão egoísta. Ele é a direção do barco que nós dirigimos.É aquele que nos garante a vitória na hora certa pelo motivo que só Ele sabe. Às vezes a espera é longa, mas se até a natureza tem seu tempo para dar frutos, porque teimamos em não entender que a natureza humana é regida pelos mesmos princípios? Que tudo tem uma ordem natural e precisa de condições certas para acontecer, assim como as flores precisam da primavera para desabrochar com excelência...
Contudo, o segredo é confiar sempre: Os planos Dele são seguros, mesmo que às vezes achemos que não...porque só quem sabe mais de nós é Ele. Só quem sabe o que nos faz verdadeiramente felizes é Ele, assim como nossos pais que um dia se negaram a realizar alguns de nossos desejos, simplesmente porque não era para o nosso bem...
Então, devemos relaxar! Soltar o cabo da nau e deixar a vida seguir seu fluxo, fazendo nossa parte e confiando e entregando nossos momentos em suas mãos!
E como já dizia a frase: "No fim de tudo, tudo dá certo. Se ainda não deu certo, é porque não chegou ao fim...." Eu creio que quanto mais acreditamos nisso, mais teremos força para realizar!
Essas palavras podem parecer piegas, brega, chichê,...ok! Normal! É porque nos desacostumamos à reconhecer, à sentir gratidão, e reconhecermos que só Ele, Deus, é poderoso para abençoar nossas vidas. Enquanto relutarmos ao seu Poder, iludidos pelo poder de nossa pequenez, podemos permanecer limitados para recebermos suas bênçãos infinitas...
Fé na vida, Fé em Deus...é esse o maior combustível para nos mover adiante!
Feliz 2011!!!

Andréa Mello

Andréa Mello

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Vivendo e aprendendo

"Aprendi a sonhar os sonhos de Deus - seus Planos são sempre maiores que os meus...
Aprendi a aceitar o que a vida me entrega e a entregar o que a vida me nega...
Aprendi a não mais insistir ao que a mim não pode vir...
Aprendi a abençoar a minha dor; por meio dela eu encontro o amor...
Aprendi a dissipar a escuridão com a Luz que há dentro do coração.
Aprendi a deixar fluir a vida para que possa ser plenamente vivida.
Aprendi a nascer, crescer, viver e morrer..."

-Andréa Mello-
"E o que busco é sempre maior do que almejo...
O corpo busca alcançar o desejo.
A alma busca a própria realização..."

-Andréa Mello-

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Especialmente


"Há coisas que se perdem para nunca mais voltar.
Há coisas que voltam para nunca mais se perder..."

-Andréa Mello- (18.11.10)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010


"Volto ao tempo que passou
O céu azul que existiu
Lá eu encontro quem sou
E a estrela que nos uniu.

No barco que naveguei
Levei junto os sonhos também
O destino eu não entreguei
O horizonte vai sempre além.

Na alma do seu olhar
Refaz-se a minha esperança
É doce e eterno te amar
Da tempestade vem vindo a bonança.

E o outono vai recolher
As sementes do nosso caminho
Ao seu lado há de viver
A flor que não conhece espinhos."

-Andréa Mello- (15/11/10)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Eternidade pra te amar (resposta ao tempo...)


Amor eu estou aqui.
Eu quero muito te encontrar
Também preciso te falar: Amo você.
E o que eu sinto não vai mudar
Nem se o mundo acabar
Eu tenho o infinito pra te amar!

Eu quero ser sua paz
E eu não quero nem saber
O que tu fazes e o que deixas de fazer.
Quero te dar o meu amor
E quero te amar cada vez mais.
E eu não vou fazer questão de complicar!

Pra mim nunca foi o fim
Você mora dentro de mim
Há tempos eu já encontrei
Um jeito de te amar assim
É tarde, você decidiu
Mas para sempre eu vou te esperar
E a gente vai voltar!

-Andréa Mello- ( na certeza de que o amor é mesmo para sempre...)

terça-feira, 2 de novembro de 2010


"O vazio vai além do nada: é o tudo que não se completa...
A solidão vai além de estar só: é estar sem a própria presença...
A tristeza vai além da dor: é a alma que não se encontrou...
O amor vai além do amor: Muito além...muito além..."

-Andréa Mello-

sábado, 30 de outubro de 2010


"Misterioso lago de águas calmas e cristalinas, és o meu espelho, e eu, a tua face; Fundidos e confundidos na realidade estranha que é todo o existir, encontramo-nos na amplidão das possibilidades quânticas e infinitas, que num lapso de tempo eterniza-nos e então nos tornamos um. Entrelaçamo-nos e nos identificamos pela visão que ambos contemplam: Tu és eu. Eu sou tu. Unidos e confundidos: Somos nós."

-Andréa Mello-

quarta-feira, 6 de outubro de 2010


"Trago o pranto encondido no peito,
que estampa o semblante triste, exprime o gosto amargo, arranca o apetite e mira o olhar pra baixo.
O pranto que não saiu, não molhou a face, e sufocou a próprio dor.
Trago o lamento escondido no peito, que cala a própria agonia, sufoca o coração machucado, exprime o corpo curvado e se nega a encarar o mundo.
O lamentou que não gritou, não protestou, engoliu a seco o discurso e implodiu em silêncio...
Hoje 'eu sou' porque existo pro mundo, embora não exista em mim.
Sou o contínuo vazio do 'antes' que sequer tornou-se 'depois'.
Sou apenas o vácuo, cheia do que não soube esvaziar...
E vou seguindo em vão, buscando encontrar a resposta da pergunta que um dia calou..."

-Andréa Mello-

sábado, 24 de abril de 2010

Resposta


"Porque a agonia de um amor distante é a eternidade de um pesadelo que não quer acordar.
Porque o tempo não apaga o amor e só aumenta a dor..
Porque a presença é o único remédio, e sem ela a vida vai sobrevivendo.
Lembrar e pra sempre lembrar. Viver e aos poucos morrer : A rotina dos dias..."

-Andréa Mello-

sábado, 20 de fevereiro de 2010


"O tom exagerado de meus discursos, acrescido de palavras torneadas de emoções parecem diluir minha sofreguidão.
O desabafo no papel refresca a vontade de materializar o que ainda não saltou do futuro para ir de encontro ao presente.
Invento paixões com uma imaginação pueril, quase inocente.Verdadeiramente, anseio pelo príncipe de um cenário fictício que, amedrontado pela dura realidade, não ousa sair da fantasia de suas páginas para não correr o risco de perder o próprio encanto...
Fico estupefata ao pensar na impossibilidade de encontrar-me em seus braços e assim manter meu coração congelado pela morbidez de um corpo intocado pelas graças do amor que salva.
Por ora, no horizonte de minhas linhas abençoadas por um poema, reinam absolutos os sapos que um dia ousei coroar quando a cegueira tapou-me os olhos... Dou-lhes todo o afeto de meus excessos. Dou-lhes todo o carinho dos meus hiatos. Faço deles o personagem principal do enredo de minhas alegrias e das minhas dores vividas.Presenteio-lhes com um poema para lembrar minha própria importância...faço deles uma alquimia, simulando ter encontrado o amor clichê dos contos de fadas.
A imaginação salva o desamor."

-Andréa Mello-

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Uma nota...


"A noite empresta o silêncio à trama dos versos vividos, impressos na memória, selado pelo instante dissipado pela realidade desencontrada dos dias.
É amargo o doce que eu devoro - tenho sede de mastigar lentamente o destino e saciar-me com sua carne, a nutrir minha alma aflita, serva dos ditames do amor.

Corpos latejantes e arqueáveis são rendidos pelo poder da loucura do instante são, recobrado pelo primeiro suspiro em êxtase, que retoma a vida e a faz renascer. O adorno do brilho cintilante de um olhar a fitar-me na penumbra da noite enfeita meu corpo com carinho.

A despedida - malogro e pesar, como se não mais houvesse retorno possível no caminho feito de curvas perigosas - como se ´nunca mais´fosse o juramento fiel de um coração que agoniza de vontade de devorar a presença, tal como ´pra sempre´fosse um decreto cravejado de verdade...

O solilóquio de um coração vertiginoso desafina na solidão a clamar seu nome espargido ao vento, sem ecoar sua presença.
Eu, só, entre quatro paredes, rendida a ti, entrego os pontos desse jogo sem regras e sem jogador - é jogo de dados: sorte ou azar...

Tens a mim sem que me tenhas...
Tenho a ti sem que te possua...
É essa a liberdade que prende. É essa a cilada do amor..."

-Andréa Mello-

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009


"Quero arrancar de mim um pensamento maciço, compactado num peito que já não respira em paz os sentimentos ao travar-me as emoções.
Quero arrancar o que delimita o meu território e me faz viver em doses homeopáticas.
Quero arrancar o que me torna ausência quando o que eu mais queria era ser presença, o que me deixa atada ao sufocar-me as atitudes, o que me emudece o desabafo e me faz insensível à canção que repousa o ouvido. Quero calar essa multidão de pensamentos atônitos que protesta, contesta, critica, julga, censura, questiona o coração agonizante e o torna paralisado frente as próprias ações.
Esse general severo que ousa conter um batalhão de sentimentos a evitar um sofrimento ao expor-se à incerteza da vitória, ao mesmo tempo que mutila o melhor da vida, paulatinamente, como a tortura mais cruel e sangrenta. Esse mesmo batalhão disposto a lutar, a sentir, a amar, a se ferir pela dor de uma paixão, fazendo do amor um mártir."

-Andréa Mello-

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Será mesmo o fim?

"Apesar de nós, o amor não se rendeu.
Apesar de nós, o amor não se encolheu.
Porque é o amor que nos escolhe,
Porque é o amor que nos acolhe,
Porque é o amor que nos recolhe ao âmago
do próprio amor...
Uma paixão possivelmente se engana,
Mas jamais se engana quem ama.
Meu amor, sinto em lhe dizer...
Meu amor, sinto em responder...
Meu amor eterno, ai de mim...
O verdadeiro amor desconhece o fim..."

-Andréa Mello-

domingo, 25 de outubro de 2009

Renovação


"Restos já não me restam.
Varro as minhas certezas, e das dúvidas que sobram sinto vastas possibilidades...
Já não vejo mapas e quase não olho as horas – o tempo não marca a felicidade!Já não sigo trilhas que indicam caminhos já percorridos - a minha estrada não permite atalhos!
Já não vejo a previsão do tempo, e quando a chuva cai, é pra abençoar o meu destino...
Os pensamentos modelam-se em formas precisas, de contornos claros e firmes.Acendo uma luz e acolho a minha própria escuridão, com um abraço fraterno de gratidão.
Clareio as sombras que revelam minhas verdades abafadas pela própria vida.
Quebro formas de concreto em mim, ilusões jamais concretizadas, cristalizadas pela minha cegueira vã.Sentimentos do passado, nutridos pelos momentos embrutecidos, são banidos de vez.
Agora sim! Estou cheia de meu próprio vazio, e sinto-me plena!Agora posso voar até o cume para alcançar o sol que nasce a cada dia!"

-Andréa Mello-

domingo, 18 de outubro de 2009

Afinidade


"É desafinando que um dia se afina - no meio dos grandes encontros, eis que surge a verdadeira afinidade...
O coração: o diapasão - é preciso achar o tom.
O tom de olhar, de sentir, de agir, de viver...
Afinal, não seríamos nós instrumentos de Deus com a missão de tocar cada coração?"

-Andréa Mello-

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Laços


Num breve confronto afronto a sua memória como um anjo injustiçado expulso de um paraíso de maravilhas.
A lembrança de nós requenta o seu sangue, livra-o da estação gélida e chuvosa em que te encontras - Uma estação onde faltam as flores, os aromas, os beija-flores...
Sim, eu sei que sou a insônia na madrugada que lhe faz dedilhar uma canção de ninar para embalar nossos momentos vividos, para resgatar o barco que nos levou em direção aos nossos sonhos e lhe deixou a esmo em um oceano de emoções - eu prometo lhe salvar de ti quando não aguentares mais remar contra a maré...
Tens a fome de abraçar o que de mais verdadeiro compartilhamos sem que tivéssemos dividido por inteiro...
Tens a sede voraz de beber a última gota de suor do meu corpo derramada em seu nome, para saciar-lhe os sentidos enfraquecidos pela minha ausência.
Tens o medo de revelar a ti mesmo o quanto ainda me queres.
Sou eu que componho sua mente, suas notas no papel, e a todo o tempo renasço, ao nascer uma nova canção em uma nota que fala de saudade...
Tens o olhar atento a me observar pela fresta devassada de um mundo virtual, e eu te encaro igualmente com ar de docilidade, e então permanecemos frente a frente, mesmo que distantes.
Me sinto em seu olhar, em seus gestos, em seu sorriso.
E então, nos tocamos sem sentir, nos sentimos sem nos tocar.
Eu ainda me reconheço em ti.
Me reconheço em ti.
Ainda.

-Andréa Mello-

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sonho meu


"Vem você à noite, assalta os meus sonhos, rouba minha realidade, vira o meu pesadelo, revira pelo avesso o meu destino fatigado em não te ter.
E todo o dia você está lá, acordado em meu sono, e eu, bela adormecida, esperando o beijo que me despertará para sempre..."

-Andréa Mello-

domingo, 20 de setembro de 2009

Diário de um viajante 1


Segui os passos que o destino deixara traçado em algum ponto do universo.
A caminho de meu trajeto a ser percorrido, adiantei o relógio, como se as paisagens tivessem pressa de mim, como se eu pudesse refazer os destinos congelados nos livros de história e mudar o rumo dos prisioneiros traídos, dos amantes impedidos de realizar seu amor, dos verdadeiros heróis algumas vezes sacrificados por uma realeza emergida em pompas, submersa na luxúria efêmera que nunca tarda a deserdar-lhe o trono.
Adentro o palácio francês. Algo grandioso me aguarda. Objetos valiosos, jóias cravejadas de ouro e pedras preciosas, as mais belas obras de arte de diferentes épocas , beleza e mais beleza em qualquer lugar que meus olhos pudessem mirar. Pinturas magníficas descansavam nos tetos, enfeitados por anjos pequeninos de asinhas curtas.Contornos minunciosamente trabalhados davam forma à tudo o que se encontrava ao redor. Nenhum espaço era esquecido. A harmonia era visível em cada passo que avançava pelo caminho; os detalhes lembravam algo divinamente divino!
Em algum lugar mais adiante avistei uma coroa que girava dentro de uma redoma de vidro, reinando absoluta, sem que ninguém jamais pudesse roubar-lhe o lugar. Estava para sempre prisioneira e "condenada" às glórias de um trono imaginário, seria para sempre fitada e enaltecida por olhos agraciados pelo seu explendor de valor incalculável.
Avistei os jardins do lado de fora do palácio e segui em sua direção quase que totalmente hipnotizada pela sua grandiosidade. Lembrava-me algo como o céu e era como se eu já tivesse estado ali. Teceu-me de saudade a alma, como se me fosse algo familiar; como se fosse meu, por direito, desfrutar daquela mistura de beleza, paz e explendor que revestia aquela vastidão que mais parecia imaculada. Ao fundo, uma música de Beethoven sussurrava em meus ouvidos, juntamente com a brisa que soprava neles. O céu estava azul, combinado com o próprio "céu"!
Senti-me majestosa na grama verde e mansa que me acariciava os pés cansados de sustentar um caminhante afoito, com pressa de que a viagem nunca chegasse ao fim, perdida na beleza do jardim do palácio parisiense.
Algo naquele momento mudara, mesmo sem quem eu soubesse exatamente o que. Lamentei por não poder mudar a história que passara... contudo, pela própria história, algo em mim mudou...

-Andréa Mello-