domingo, 17 de maio de 2009

O inesperado


...E o "inesperado" esperou o momento errado de me alcançar - não era o certo, que fique bem claro, porque nele está contida a dor que dilacera e se espalha aos quatros ventos.
Seguia o tal intruso na mesma direção de meus sonhos, sentido contrário aos princípios que me apontam meios de chegar ao fim correto de um amor - teria mesmo o verdadeiro amor alcançado algum dia o fim?
Me aguardou virar a esquina, numa rua que eu não enxergava mais saída... apertou os passos e, ao alcançar-me, arrancou-me à força o coração, como se dele fosse ser salva a sua própria vida...
Aproveitou a brecha de meu vazio sereno pra tomar de vez o lugar.
Apoderou-se de meu corpo numa estranha fusão de alma, feita apenas por telepatia...
Numa batalha quase transcendental, lutei contra a paixão, disfarçada de "acaso", que sem pedir licença, fora arrancando à força as forças que me restavam, invadindo os cantos vulneráveis de dentro de meu ser.
Eu venci a tentação, o "destino" venceu pela emoção...
Quem irá se render?

-Andréa Mello-

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Carta de Alforria


“Vem , liberta-me do cativeiro que me ofertaste,
livra-me das algemas que me condenaste-
sou prisioneira dos seus sentidos ingratos,
cheio de pudores encantados de pecado.

A ti, vagas lembranças lhe resta do amor;
inebria-te em tórridas paixões, a teceres de desassossego a alma.
Tal qual um leão faminto, devoras o banquete sagrado,
indo de encontro ao instinto fugaz.

Segues como um deus extraviado dos caminhos celestes,
buscando o inferno dos desejos vãos.
Pegadas na areia se apagam a cada passo dos ponteiros
frios das horas - o alicerce de teus pés já não lembra a sua estrada.

Suplico ao amor, ardendo em preces,
a estender-lhe as mãos e lhe resgatar incólume
do poço enlameado que te reveste a carne.

Vem, traga-me a carta de alforria.
Escrava sou das armadilhas de seus dias,
perdidos na paisagem da escuridão noturna.

Vem, devolva-me o que sugaste de minhas entranhas;
o meu corpo conhece o frio.
É inverno em minha alma.”

-Andréa Mello-

sábado, 9 de maio de 2009


Hoje acordei com vontade de dar bom dia à uma estrela, mas o dia já raiou e ela já não está mais aqui...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Fortaleza


“Avisto o futuro pela fresta estreita da porta de entrada.
A pupila contraída retém a claridade no olhar, guardando os dias brilhantes que prometem desabrochar.
Num lampejo de aurora que me circunda a mente, busco acariciar as poéticas horas que me precedem os dias em branco, ainda intactos.
Ouso prever a felicidade que me aguarda com a mesma intensidade de uma criança que almeja tocar uma estrela cadente eternizada por um pensamento
Insisto num sorriso leve e pretencioso, numa tentativa de condensar a felicidade que paira no ar e ousa encher-me os pulmões.
Desafrouxo o nó de meus sonhos a cada suspiro fácil e prolongado que me tira o fôlego, embargada na ânsia ofegante dos desejos pulsantes.
Dos ciscos que me anuviam os olhos, dos dias empoeirados que borram a paisagem lá fora, dos restos estilhaçados de minha alma que me levam à contra mão de meus dias, me conduzo, estranha e paulatinamente ao paraíso de mim mesma...
Lapido as pedras jogadas em meu caminho pelo vão das mãos hostis, dando-lhe um toque de vida, ao transformá-las em diamantes multifacetados, refletindo um arco-íris de cores mágicas em tons contrastantes.
Dos mágicos diamantes, construo um castelo salpicado de pombas e enfeites trajados de explendor, a servir-me de abrigo, dando-lhe um toque delicado de meu nobre coração.
Faço de minha morada fortaleza e destino para o amor e para todas as glórias que ele contém."

-Andréa Mello-