quinta-feira, 23 de abril de 2009

Louca Contradição


"O homem, perdido em sua realidade irreal:
Ouve e já não escuta...fala palavras vazias...
Cala, mas não silencia...experimenta, mas não assimila...
Agradece, mas não reconhece...Culpa a vida e teme a morte...
Reclama da escassez do amor e economiza sorrisos...
Procura a felicidade, mas já não encontra a si mesmo...
Não sabe mais o valor de um beijo, mantem-se frio ao calor de um abraço, e reclama da solidão...Não reconhece mais a verdadeira beleza e admira o que não já não é tão belo...
Sua presença é muito mais ausência, seu estado desperto segue adormecido...
Em sua estranha lucidez, seus sentidos enlouqueceram.
Dá valor ao que não tem valor real e desvaloriza a si próprio... Segue sobrevivendo, ao viver de mentiras criadas por sua própria ilusão...
Tão rico...e tão pobre...
Tão forte...mas tão fraco...
E nessa louca contradição sepulta-se em vida,
aniquilando-se de vez.
Vê tudo, mas nada enxerga...
Adormeceu em sua ignorância.
Desapareceu em sua superficialidade."

-Andréa Mello-

quarta-feira, 15 de abril de 2009

HAI-KAIS


"E o camaleão permanecera cinza
sobre o meu coração..."


" Doce melodia...
Os sinos serviam de instrumento
Para a canção dos ventos."


"Aquela tristeza -
A chave de minha felicidade..."

-Andréa Mello-

domingo, 12 de abril de 2009

Save me!


Num solavanco, acordo do sono de meus sentimentos - despertou-me o amor!
A insônia toma conta, impelindo-me ao pesadelo de um futuro congelado pela frieza imparcial de seus atos fugidios, infiéis às palavras que voam sem que tenhas lhe dado asas. Aprisiona-te na liberdade de suas certezas floreadas com meias verdades.
Foi de ti que me embriaguei na hora da entrega que me calou os pensamentos,
e agora, tardam-me as idéias a encontrarem a razão...
A canção que ainda toca em mim traz consigo os ecos de nossa história escrita à lápis, em meio a linhas tortas e capítulos inacabados.
Resgato meus dias no sentido contrário das horas, numa fuga ao passado quase presente, vivendo do que me impede de te esquecer, morrendo por dentro de minhas partes que ainda pulsam.
Num movimento quase involuntário, contraio meu peito para que o amor não me tome de vez o corpo a deixar-me chagas na alma - esse veneno que circula em meu sangue, fazendo de ti o antídoto - não virás me salvar?
Seus passos titubeantes tropeçam em meus caminhos fartos de sua espera. Traga-lhes ao rumo que me aponta o alvo!
E que não seja tarde demais quando decidires devolver a mim o brilho que te reluz - o sol não pode encontrar seu explendor à meia noite...

Andréa Mello

sábado, 4 de abril de 2009

"Éle"


Grito ao papel , a voz desenfreada em minha mente - estranha tagarelice do meu silêncio. Num ímpeto voraz, regresso aos fragmentos de uma história abreviada por um golpe fatal - ferida exposta ao mundo.
O corte abrupto do destino sangra a consciência dilacerada pela saudade de uma saudade sequer sentida.
Questiono-me numa sentença de condenação aos meus atos, a apontar-me o dedo para um futuro vazio de nossa paisagem perdida.
Flashes na memória remetem-me à cena um: olhares, faróis do caminho, a encontrarem-se "em algum lugar do passado", a selar o encontro predestinado... Teria sido o amor, de tão profundo, a mim sequer revelado?
Teriam meus sentidos enlouquecido à ausência de minha presença em mim mesma, abafados pela insanidade egóica em que me encontrava?
Teria sido cedo demais, embora tarde demais nesta hora?
E eu, ingênua de mim, confusa em meus próprios passos que sequer avançavam à concretização de nós, enganada pelo meu próprio ser desconhecido, atirei-me, impiedosamente, ao precipício de nossa própria solidão, como se ainda o amor não tivesse brotado, ou como se ele pudesse morrer...
Resta-me a canção eternizada em sua voz, a percorrer sua melodia pelas altas esferas, como uma súplica, a levar-me de volta ao lugar que eu jamais deveria ter saído...

(Andréa Mello)