segunda-feira, 7 de dezembro de 2009


"Quero arrancar de mim um pensamento maciço, compactado num peito que já não respira em paz os sentimentos ao travar-me as emoções.
Quero arrancar o que delimita o meu território e me faz viver em doses homeopáticas.
Quero arrancar o que me torna ausência quando o que eu mais queria era ser presença, o que me deixa atada ao sufocar-me as atitudes, o que me emudece o desabafo e me faz insensível à canção que repousa o ouvido. Quero calar essa multidão de pensamentos atônitos que protesta, contesta, critica, julga, censura, questiona o coração agonizante e o torna paralisado frente as próprias ações.
Esse general severo que ousa conter um batalhão de sentimentos a evitar um sofrimento ao expor-se à incerteza da vitória, ao mesmo tempo que mutila o melhor da vida, paulatinamente, como a tortura mais cruel e sangrenta. Esse mesmo batalhão disposto a lutar, a sentir, a amar, a se ferir pela dor de uma paixão, fazendo do amor um mártir."

-Andréa Mello-

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Será mesmo o fim?

"Apesar de nós, o amor não se rendeu.
Apesar de nós, o amor não se encolheu.
Porque é o amor que nos escolhe,
Porque é o amor que nos acolhe,
Porque é o amor que nos recolhe ao âmago
do próprio amor...
Uma paixão possivelmente se engana,
Mas jamais se engana quem ama.
Meu amor, sinto em lhe dizer...
Meu amor, sinto em responder...
Meu amor eterno, ai de mim...
O verdadeiro amor desconhece o fim..."

-Andréa Mello-

domingo, 25 de outubro de 2009

Renovação


"Restos já não me restam.
Varro as minhas certezas, e das dúvidas que sobram sinto vastas possibilidades...
Já não vejo mapas e quase não olho as horas – o tempo não marca a felicidade!Já não sigo trilhas que indicam caminhos já percorridos - a minha estrada não permite atalhos!
Já não vejo a previsão do tempo, e quando a chuva cai, é pra abençoar o meu destino...
Os pensamentos modelam-se em formas precisas, de contornos claros e firmes.Acendo uma luz e acolho a minha própria escuridão, com um abraço fraterno de gratidão.
Clareio as sombras que revelam minhas verdades abafadas pela própria vida.
Quebro formas de concreto em mim, ilusões jamais concretizadas, cristalizadas pela minha cegueira vã.Sentimentos do passado, nutridos pelos momentos embrutecidos, são banidos de vez.
Agora sim! Estou cheia de meu próprio vazio, e sinto-me plena!Agora posso voar até o cume para alcançar o sol que nasce a cada dia!"

-Andréa Mello-

domingo, 18 de outubro de 2009

Afinidade


"É desafinando que um dia se afina - no meio dos grandes encontros, eis que surge a verdadeira afinidade...
O coração: o diapasão - é preciso achar o tom.
O tom de olhar, de sentir, de agir, de viver...
Afinal, não seríamos nós instrumentos de Deus com a missão de tocar cada coração?"

-Andréa Mello-

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Laços


Num breve confronto afronto a sua memória como um anjo injustiçado expulso de um paraíso de maravilhas.
A lembrança de nós requenta o seu sangue, livra-o da estação gélida e chuvosa em que te encontras - Uma estação onde faltam as flores, os aromas, os beija-flores...
Sim, eu sei que sou a insônia na madrugada que lhe faz dedilhar uma canção de ninar para embalar nossos momentos vividos, para resgatar o barco que nos levou em direção aos nossos sonhos e lhe deixou a esmo em um oceano de emoções - eu prometo lhe salvar de ti quando não aguentares mais remar contra a maré...
Tens a fome de abraçar o que de mais verdadeiro compartilhamos sem que tivéssemos dividido por inteiro...
Tens a sede voraz de beber a última gota de suor do meu corpo derramada em seu nome, para saciar-lhe os sentidos enfraquecidos pela minha ausência.
Tens o medo de revelar a ti mesmo o quanto ainda me queres.
Sou eu que componho sua mente, suas notas no papel, e a todo o tempo renasço, ao nascer uma nova canção em uma nota que fala de saudade...
Tens o olhar atento a me observar pela fresta devassada de um mundo virtual, e eu te encaro igualmente com ar de docilidade, e então permanecemos frente a frente, mesmo que distantes.
Me sinto em seu olhar, em seus gestos, em seu sorriso.
E então, nos tocamos sem sentir, nos sentimos sem nos tocar.
Eu ainda me reconheço em ti.
Me reconheço em ti.
Ainda.

-Andréa Mello-

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sonho meu


"Vem você à noite, assalta os meus sonhos, rouba minha realidade, vira o meu pesadelo, revira pelo avesso o meu destino fatigado em não te ter.
E todo o dia você está lá, acordado em meu sono, e eu, bela adormecida, esperando o beijo que me despertará para sempre..."

-Andréa Mello-

domingo, 20 de setembro de 2009

Diário de um viajante 1


Segui os passos que o destino deixara traçado em algum ponto do universo.
A caminho de meu trajeto a ser percorrido, adiantei o relógio, como se as paisagens tivessem pressa de mim, como se eu pudesse refazer os destinos congelados nos livros de história e mudar o rumo dos prisioneiros traídos, dos amantes impedidos de realizar seu amor, dos verdadeiros heróis algumas vezes sacrificados por uma realeza emergida em pompas, submersa na luxúria efêmera que nunca tarda a deserdar-lhe o trono.
Adentro o palácio francês. Algo grandioso me aguarda. Objetos valiosos, jóias cravejadas de ouro e pedras preciosas, as mais belas obras de arte de diferentes épocas , beleza e mais beleza em qualquer lugar que meus olhos pudessem mirar. Pinturas magníficas descansavam nos tetos, enfeitados por anjos pequeninos de asinhas curtas.Contornos minunciosamente trabalhados davam forma à tudo o que se encontrava ao redor. Nenhum espaço era esquecido. A harmonia era visível em cada passo que avançava pelo caminho; os detalhes lembravam algo divinamente divino!
Em algum lugar mais adiante avistei uma coroa que girava dentro de uma redoma de vidro, reinando absoluta, sem que ninguém jamais pudesse roubar-lhe o lugar. Estava para sempre prisioneira e "condenada" às glórias de um trono imaginário, seria para sempre fitada e enaltecida por olhos agraciados pelo seu explendor de valor incalculável.
Avistei os jardins do lado de fora do palácio e segui em sua direção quase que totalmente hipnotizada pela sua grandiosidade. Lembrava-me algo como o céu e era como se eu já tivesse estado ali. Teceu-me de saudade a alma, como se me fosse algo familiar; como se fosse meu, por direito, desfrutar daquela mistura de beleza, paz e explendor que revestia aquela vastidão que mais parecia imaculada. Ao fundo, uma música de Beethoven sussurrava em meus ouvidos, juntamente com a brisa que soprava neles. O céu estava azul, combinado com o próprio "céu"!
Senti-me majestosa na grama verde e mansa que me acariciava os pés cansados de sustentar um caminhante afoito, com pressa de que a viagem nunca chegasse ao fim, perdida na beleza do jardim do palácio parisiense.
Algo naquele momento mudara, mesmo sem quem eu soubesse exatamente o que. Lamentei por não poder mudar a história que passara... contudo, pela própria história, algo em mim mudou...

-Andréa Mello-

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Da dor do não amar...


“Não sentir amor é dor que se sente
De dentro da alma
- Latente –
É como estar presente e ausente...

Não amar é como sangrar a pele
Sem se contundir;
É como contar as estrelas
Sem se confundir...

E quem chega, já está lá
Esperando a hora soar,
Perdido, em algum lugar
Pronto, para o futuro encontrar.

Enquanto isso, o vazio,
O oco, as horas a fio...
O desejo da verdadeira união
Que nunca acontecerá em vão...

Um encontro, um destino, a sorte ...
E tudo sobrevive à morte
E tudo renasce das cinzas,
E a dor pra sempre se finda...”

-Andréa Mello-

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Ilha Grande - (feito em) 2004


"Uma vez você não me encontrou ao seu lado
Eu não estava no seu presente e nem no seu passado
Mas num futuro que não podias ver -
Eu sempre estive com você...

Em meio às turbulentas ondas da vida
Surge a esperança em uma paisagem perdida
Você vem para me resgatar -
O amor não pode mais esperar...

E enquanto o sol não aparece
É você que com carinho me aquece
Dá calor aos meus pés, transmite calma
Aquece meu corpo e minha alma

A lua guia a nossa caminhada
Seguimos juntos a mesma estrada
E aquela estrela que brilha só pra nós
Fica mais forte quando estamos a sós."

...

(E, então, pra sempre eu olhei o mar
E, pra sempre, nunca deixei de lembrar
Da lembrança que me pediste pra eu ter
Cada vez que ele viesse me ver...)

-Andréa Mello-

Minha Prece


"Deus,
permita que na minha vida nunca falte o sal...o sol... e nem o céu...
Amém."

-Andréa Mello-

domingo, 12 de julho de 2009

Um pedido


"FELICIDADE: Darei a ti tu própria, como recompensa de meus dias felizes, para que então, vires êxtase ao conheceres o seu próprio paraíso! Peço-lhe que depois retornes a mim, e ao aprovares a experiência de se sentir em ti mesma, eu te deixo ser comigo; e então, pra sempre, fundida a mim, nunca mais seremos sós e nem tristes!"

-Andréa Mello-

sábado, 4 de julho de 2009

Sem respostas


"Por onde anda o caminho de quem não se encontrou, a estrada que ninguém passou, a flor que ninguém fitou?
Por onde segue o vento que me soprou uma inspiração, que refez minha ilusão ao deitar sereno num poema manso a escrever alguma forma de amor?
Por onde seguem as vidas que me desconstruíram, fazendo-me imergir das cinzas?
Qual fora o tombo que me furtou a espontaneidade, que acendeu meu medo, induziu-me a sabotar as minhas ânsias mais ousadas, mas tornou-me intacta na força de meu próprio ser?
Qual fora a palavra que calei para sempre, impedindo-me de avançar em alguma direção a me mostrar a meta a ser alcançada?
Qual fora o silêncio que gritei, perdendo para sempre a mensagem final?
Pra onde seguira o choro contido e o sorriso travado pela insensibilidade que me camuflou? Estaria ainda dentro de mim, pronto pra ser transbordado, ou saiu-me pelos poros, de encontro a quem o queira manifestar?
Qual fora o momento certo na hora errada? Qual fora a hora certa
no momento inoportuno?
Quem responderá às perguntas sem respostas?
Quem encontrará os sonhos perdidos no caminho?
Quem transformará a tristeza em felicidade, suavizando os pés cansados de trilhar o caminho íngreme que conduz ao cume?"

-Andréa Mello-

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Embalo


"Um recua, enquanto o outro segue lentamente em sua direção: Dois passos a frente, um passo atrás - nada está no seu lugar. Entram no ritmo, encontram o tom, completam uma série harmônica.
Um acorde, um acordo, uma oitava acima -
uma nota grave? um estado agudo?!
Um giro, uma ginga, mexe o cabelo, faz um gracejo, balança o corpo com jogo de cintura; marcam o passo no compasso!
Conduzidos pela sinfonia, vibram na mesma sintonia, afinam a afinidade - algo os toca de verdade.
Um conduz, o outro seduz e tudo reluz como ouro!
E seguem vibrando,
e seguem dançando conforme a música..."

-Andréa Mello-

terça-feira, 30 de junho de 2009

Quem saberá?



"Os pensamentos voam desvairados por um lugar proibido, um mundo já habitado e complexo; lançam-se no escuro, acertam o alvo errado, com um impulso desbravador de uma força ainda desconhecida.
Essa mesma força me encara com um ar desafiador, na tentativa de testar o meu anjo ou meu demônio, na ânsia de saber quem irá sucumbir na hora ardilosa em que me encontro.
Direciono meus impulsos às estrelas, minhas intenções ao universo, como se deles fosse a responsabilidade de conduzir-me à quintaessência do meu desejo.
Libero resquícios que o amor herdou a mim, a desejar que siga de encontro a um mundo novo, que fale uma só língua, que traduza o amor em qualquer circunstância. Me debato com o eco do seu nome, que retorna à minha própria direção, ao encontrar-lhe numa barreira quase intransponível.
A vontade se comprime pela inércia que me paralisa, pelo receio que me assola, pelas mãos que se esfriam frente a um coração caloroso.
A não ação é a minha ação, pois atado está o destino.
Atadas estão minhas mãos, embora livres, e toda a extensão de mim.
Somente o ato a desatar o nó contido nesse estranho laço de ternura, a conduzir-me a um redemoinho de emoções.
Não sei aonde irei parar, pois não posso seguir!
Não sei aonde irei chegar, pois a estrada está interditada, e não há retorno possível - não há volta ao passado! E o futuro, esse tempo tão misterioso, que é todo o momento depois do absoluto agora, esse tempo onde moram os sonhos e se fabrica a realidade, faz um leve aceno a mim, como se quisesse me dar boas vindas à um mundo a ser conquistado, ou apenas me preparar para o breve adeus, sem que eu jamais tenha adentrado esse novo universo..."

-Andréa Mello-

sábado, 27 de junho de 2009

Sobre o amor intocado...


"Melhor seria não viver um grande amor?
Melhor seria não sentir a sua dor?
Deixá-lo imaculado, como a peça mais preciosa de uma obra arte, a permanecer intocada, embora apreciada?
Melhor seria poupá-lo de suas dores, de seus temores, dos dias que o desgastam? E então, livre do peso que cai em suas costas pelas sombras de atos
mesquinhos que o devasta, ele poderia, enfim, durar para sempre!
Sim, um amor só em pensamento, para não ferir a quem se ama, para não ferir o próprio néctar imaculado que jorra da semente do próprio amor,
conduzindo-o vagarosamente à ruína e à dor de sua morte inevitável.
Um amor sustentado pelo mistério absoluto, pelo gosto jamais provado pelos sentidos limitados.
Um amor conduzido pelas asas da imaginação, alçando os mais altos vôos.
Um amor livre, por não ter sido vivenciado, atrelado à um desejo devastador de ser experimentado.
Um amor ofertado à Deus, em forma do mais belo sacrifício e da mais confiante entrega."

-Andréa Mello-

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Complemento


"Sigo inteira em minha metade!
À mim falta-me apenas a tua parte,
para que, enfim, completes a vastidão de mim!

E só porque parte de mim é metade, eu te busco.
E só porque parte de mim é inteira, eu te amo!

Sejamos nós o complemento fiel de nossos eus, para que
selemos nosso amor ao infinito, como fazem todas as almas gêmeas!"

-Andréa Mello-

Permita-me!


"Deixe-me amar-te de qualquer maneira.
Deixe-me entregar-te esse amor que jorra sem cessar;
essa energia pulsante - meu alimento, minha doação.
Permita-me tocar-lhe em algum lugar em ti, para que me relembres o dia em que eu estive mais perto do céu...
Preciso acariciar-lhe a alma para que eu sinta o Deus em mim despertando do sono profundo!
Faz de ti o elo a unir-me à fonte da incansável plenitude!
Deixe-me te amar, deixe-me espalhar esse amor que me invade, para ser multiplicado por terra e mar.
Permita-me expandir-me em ti, para que num momento possamos relembrar a unidade...
Por favor, dá-me seu aval, para que eu não imploda de tanto amor contido."

-Andréa Mello-

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Do amor pela metade...


"Vinha ele a toda a hora pousar em minha mente, trazido por uma força que me fugia o controle, numa tentativa certeira de chacoalhar meus instintos.
Um misto de volúpia e delírio tocavam-me desde o fio do cabelo, contraindo todas as partes de mim, num arrepio quase convulsivo.
Era uma força intensa, brutal, estonteante, mágica.
Ao seu lado, a vulnerabilidade me desnudava, e eu indefesa, expunha-me de peito aberto à toda a paixão que não me deixava conter-me.
Eu não dominava os disfarces. Não podia mais guardar os meus segredos em meu espaço sagrado, porque o que exalava de mim era seu próprio perfume...

Ruídos incessantes que chegavam de fora, tolhiam-no do contato mais íntimo consigo mesmo. O brilho das cascas vazias desviavam-lhe o olhar das metas de sua alma, desejosa de um amor verdadeiro. Iludia-se com seu ego insaciável, inebriado do "ouro dos tolos."
Seguiu a vida sem ao menos revela-se a si próprio! Perdera a essência do que lhe era essencial... E por não saber sequer de um grande amor que nutria por um alguém - por não se saber inteiro - fora condenado a viver pela metade..."

-Andréa Mello-

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Da Rosa rosa...


"Dos ecos de seu silêncio,
Das lacunas de sua ausência,
As lágrimas derramadas
- porém, nunca em vão-
Regavam a rosa do deserto coração...
E hoje, bela e formosa,
segue a rosa, em verso e prosa,
Toda prosa,
Toda rosa..."
.
-Andréa Mello-

domingo, 17 de maio de 2009

O inesperado


...E o "inesperado" esperou o momento errado de me alcançar - não era o certo, que fique bem claro, porque nele está contida a dor que dilacera e se espalha aos quatros ventos.
Seguia o tal intruso na mesma direção de meus sonhos, sentido contrário aos princípios que me apontam meios de chegar ao fim correto de um amor - teria mesmo o verdadeiro amor alcançado algum dia o fim?
Me aguardou virar a esquina, numa rua que eu não enxergava mais saída... apertou os passos e, ao alcançar-me, arrancou-me à força o coração, como se dele fosse ser salva a sua própria vida...
Aproveitou a brecha de meu vazio sereno pra tomar de vez o lugar.
Apoderou-se de meu corpo numa estranha fusão de alma, feita apenas por telepatia...
Numa batalha quase transcendental, lutei contra a paixão, disfarçada de "acaso", que sem pedir licença, fora arrancando à força as forças que me restavam, invadindo os cantos vulneráveis de dentro de meu ser.
Eu venci a tentação, o "destino" venceu pela emoção...
Quem irá se render?

-Andréa Mello-

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Carta de Alforria


“Vem , liberta-me do cativeiro que me ofertaste,
livra-me das algemas que me condenaste-
sou prisioneira dos seus sentidos ingratos,
cheio de pudores encantados de pecado.

A ti, vagas lembranças lhe resta do amor;
inebria-te em tórridas paixões, a teceres de desassossego a alma.
Tal qual um leão faminto, devoras o banquete sagrado,
indo de encontro ao instinto fugaz.

Segues como um deus extraviado dos caminhos celestes,
buscando o inferno dos desejos vãos.
Pegadas na areia se apagam a cada passo dos ponteiros
frios das horas - o alicerce de teus pés já não lembra a sua estrada.

Suplico ao amor, ardendo em preces,
a estender-lhe as mãos e lhe resgatar incólume
do poço enlameado que te reveste a carne.

Vem, traga-me a carta de alforria.
Escrava sou das armadilhas de seus dias,
perdidos na paisagem da escuridão noturna.

Vem, devolva-me o que sugaste de minhas entranhas;
o meu corpo conhece o frio.
É inverno em minha alma.”

-Andréa Mello-

sábado, 9 de maio de 2009


Hoje acordei com vontade de dar bom dia à uma estrela, mas o dia já raiou e ela já não está mais aqui...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Fortaleza


“Avisto o futuro pela fresta estreita da porta de entrada.
A pupila contraída retém a claridade no olhar, guardando os dias brilhantes que prometem desabrochar.
Num lampejo de aurora que me circunda a mente, busco acariciar as poéticas horas que me precedem os dias em branco, ainda intactos.
Ouso prever a felicidade que me aguarda com a mesma intensidade de uma criança que almeja tocar uma estrela cadente eternizada por um pensamento
Insisto num sorriso leve e pretencioso, numa tentativa de condensar a felicidade que paira no ar e ousa encher-me os pulmões.
Desafrouxo o nó de meus sonhos a cada suspiro fácil e prolongado que me tira o fôlego, embargada na ânsia ofegante dos desejos pulsantes.
Dos ciscos que me anuviam os olhos, dos dias empoeirados que borram a paisagem lá fora, dos restos estilhaçados de minha alma que me levam à contra mão de meus dias, me conduzo, estranha e paulatinamente ao paraíso de mim mesma...
Lapido as pedras jogadas em meu caminho pelo vão das mãos hostis, dando-lhe um toque de vida, ao transformá-las em diamantes multifacetados, refletindo um arco-íris de cores mágicas em tons contrastantes.
Dos mágicos diamantes, construo um castelo salpicado de pombas e enfeites trajados de explendor, a servir-me de abrigo, dando-lhe um toque delicado de meu nobre coração.
Faço de minha morada fortaleza e destino para o amor e para todas as glórias que ele contém."

-Andréa Mello-

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Louca Contradição


"O homem, perdido em sua realidade irreal:
Ouve e já não escuta...fala palavras vazias...
Cala, mas não silencia...experimenta, mas não assimila...
Agradece, mas não reconhece...Culpa a vida e teme a morte...
Reclama da escassez do amor e economiza sorrisos...
Procura a felicidade, mas já não encontra a si mesmo...
Não sabe mais o valor de um beijo, mantem-se frio ao calor de um abraço, e reclama da solidão...Não reconhece mais a verdadeira beleza e admira o que não já não é tão belo...
Sua presença é muito mais ausência, seu estado desperto segue adormecido...
Em sua estranha lucidez, seus sentidos enlouqueceram.
Dá valor ao que não tem valor real e desvaloriza a si próprio... Segue sobrevivendo, ao viver de mentiras criadas por sua própria ilusão...
Tão rico...e tão pobre...
Tão forte...mas tão fraco...
E nessa louca contradição sepulta-se em vida,
aniquilando-se de vez.
Vê tudo, mas nada enxerga...
Adormeceu em sua ignorância.
Desapareceu em sua superficialidade."

-Andréa Mello-

quarta-feira, 15 de abril de 2009

HAI-KAIS


"E o camaleão permanecera cinza
sobre o meu coração..."


" Doce melodia...
Os sinos serviam de instrumento
Para a canção dos ventos."


"Aquela tristeza -
A chave de minha felicidade..."

-Andréa Mello-

domingo, 12 de abril de 2009

Save me!


Num solavanco, acordo do sono de meus sentimentos - despertou-me o amor!
A insônia toma conta, impelindo-me ao pesadelo de um futuro congelado pela frieza imparcial de seus atos fugidios, infiéis às palavras que voam sem que tenhas lhe dado asas. Aprisiona-te na liberdade de suas certezas floreadas com meias verdades.
Foi de ti que me embriaguei na hora da entrega que me calou os pensamentos,
e agora, tardam-me as idéias a encontrarem a razão...
A canção que ainda toca em mim traz consigo os ecos de nossa história escrita à lápis, em meio a linhas tortas e capítulos inacabados.
Resgato meus dias no sentido contrário das horas, numa fuga ao passado quase presente, vivendo do que me impede de te esquecer, morrendo por dentro de minhas partes que ainda pulsam.
Num movimento quase involuntário, contraio meu peito para que o amor não me tome de vez o corpo a deixar-me chagas na alma - esse veneno que circula em meu sangue, fazendo de ti o antídoto - não virás me salvar?
Seus passos titubeantes tropeçam em meus caminhos fartos de sua espera. Traga-lhes ao rumo que me aponta o alvo!
E que não seja tarde demais quando decidires devolver a mim o brilho que te reluz - o sol não pode encontrar seu explendor à meia noite...

Andréa Mello

sábado, 4 de abril de 2009

"Éle"


Grito ao papel , a voz desenfreada em minha mente - estranha tagarelice do meu silêncio. Num ímpeto voraz, regresso aos fragmentos de uma história abreviada por um golpe fatal - ferida exposta ao mundo.
O corte abrupto do destino sangra a consciência dilacerada pela saudade de uma saudade sequer sentida.
Questiono-me numa sentença de condenação aos meus atos, a apontar-me o dedo para um futuro vazio de nossa paisagem perdida.
Flashes na memória remetem-me à cena um: olhares, faróis do caminho, a encontrarem-se "em algum lugar do passado", a selar o encontro predestinado... Teria sido o amor, de tão profundo, a mim sequer revelado?
Teriam meus sentidos enlouquecido à ausência de minha presença em mim mesma, abafados pela insanidade egóica em que me encontrava?
Teria sido cedo demais, embora tarde demais nesta hora?
E eu, ingênua de mim, confusa em meus próprios passos que sequer avançavam à concretização de nós, enganada pelo meu próprio ser desconhecido, atirei-me, impiedosamente, ao precipício de nossa própria solidão, como se ainda o amor não tivesse brotado, ou como se ele pudesse morrer...
Resta-me a canção eternizada em sua voz, a percorrer sua melodia pelas altas esferas, como uma súplica, a levar-me de volta ao lugar que eu jamais deveria ter saído...

(Andréa Mello)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Paixão


"Paixão:
Pulsar latente disfarçado de eternidade,
urgência de vida, fome compulsiva a devorar os sonhos,
sede insaciável do outro, dor em fase de alegria imortal...
Paixão, essa magia súbita e atônita, reação química
dos corpos, com ação de impulso voraz, imergida das profundezas de um desejo quase visceral; que sucumbe à dor, como o sacríficio de um servo santo à espera de sua redenção, à pensar nas horas de glórias incandescentes - fogos de artíficio a apagarem-se ante um breve momento encantado.
Paixão, esse fogo que consome a lama dos dias, a lavar a alma com o suor das entranhas à fricção dos corpos delirantes; lembra à ausência sua pontual onipresença e presenteia o fel com o mel mais doce.
Paixão, esse instinto primitivo e refinado,
sinalizado por um olhar que de tanto não ver, enxerga..."

(Andréa Mello)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Ponto Final


Calei as palavras nunca ditas.
Calei o riso de delírios fáceis.
Calei o coração descompassado
orquestrado em seu nome, em verso e prosa.
Calei a noite a implorar sua presença
tão ausente de mim.
O grito não saiu, a garganta arranhou.
Silêncio.
Cacos, trapos, farrapos -
os restos mortais de mim.
Sem rastros de fagulha.
Sem restos de esperança.
O dia é breu.
A chama se apagou.
Clara eram as noites que eu passava eu claro...
A cortina se fechou.
As luzes se apagaram.
O espetáculo acabou.
(Andréa Mello)