quarta-feira, 13 de maio de 2009

Carta de Alforria


“Vem , liberta-me do cativeiro que me ofertaste,
livra-me das algemas que me condenaste-
sou prisioneira dos seus sentidos ingratos,
cheio de pudores encantados de pecado.

A ti, vagas lembranças lhe resta do amor;
inebria-te em tórridas paixões, a teceres de desassossego a alma.
Tal qual um leão faminto, devoras o banquete sagrado,
indo de encontro ao instinto fugaz.

Segues como um deus extraviado dos caminhos celestes,
buscando o inferno dos desejos vãos.
Pegadas na areia se apagam a cada passo dos ponteiros
frios das horas - o alicerce de teus pés já não lembra a sua estrada.

Suplico ao amor, ardendo em preces,
a estender-lhe as mãos e lhe resgatar incólume
do poço enlameado que te reveste a carne.

Vem, traga-me a carta de alforria.
Escrava sou das armadilhas de seus dias,
perdidos na paisagem da escuridão noturna.

Vem, devolva-me o que sugaste de minhas entranhas;
o meu corpo conhece o frio.
É inverno em minha alma.”

-Andréa Mello-

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