quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Das noites que passei em claro...


"Um olhar - decreto
Pupilas dilatadas de encanto
Mil e uma noites em lençóis tecidos
de mãos espalmadas e fulgor enluarado
A tocar os breus da alma.

Brinda a lua ao mar
Acariciando-lhe a espuma gélida
Num afago terno e voraz -
Prenúncio de aurora.

O beijo tácito e tímido
Devora-se em cada gole na taça,
Despindo-se de todo o pudor,
Colorindo de delírios a realidade.

Amanhece.
Escureço.
O mundo em preto e branco.

Lua cheia.
Vazia.
Amanhã.
Outro dia."

(Andréa Mello)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A ti


Querida pessoa,

Tentemos achar a culpa, já que nunca iremos achar o culpado!
Porque ainda somos ego demais para admitir nossos erros, e além do mais os erros são sempre do outro... Ninguém é bobo de ter um bem tão mau desse consigo! Ninguém nunca comprou erros para tê-los e fazer uso deles!
Ontem me disseram que há quem prefira a caçada do que a caça... e há quem prefira errar a assumir o erro. Erros geralmente não são assumidos para si. Aliás, os defeitos são bem pouco revelados para nós. São o nosso maior segredo de nós mesmos. Gozado isso!
(risos)

E seguimos, então, cheios de razão, mesmo que de mentirinha. Porque admiti-los pode ser sinônimo de estupidez, fracasso pessoal, e ninguém quer se sentir fracassado pelo que fez ou mesmo pelo que não fez, ao menos de propósito...
Querida pessoa, já que tudo é mesmo tão relativo, e já que os erros não passam de acertos tortos, porque na verdade ninguém erra porque quer,
eu aceito os seus perdões, mesmo que jamais sejam por ti suplicados a mim.
Quando se deita a cabeça no travesseiro, e quando conseguimos deixar vir a tona nós mesmos, sabemos bem no fundo o que se passa...
Na manhã seguinte, mesmo quando colocamos de novo as máscaras da prepotência, algo em nós permanecerá gritando até que algo seja feito.
Talvez nunca seja feito (o ego sempre grita mais alto), mas então, faço aqui a minha parte: Eu lhe perdôo por você não me perdoar! Pense bem nisso...
E assim eu me liberto de ti e tu te libertas de mim. E então, em liberdade, quem sabe possamos , então, voltar a errar coisas novas? Porque errar de novo os mesmos erros já não nos cabe.
Bem, quem sabe eu esteja errada (a seus olhos?), dentro de meu conceito limitado da verdade? Porque a verdade é mesmo tão relativa...mas há uma verdade que eu não admito que você não concorde comigo: Amigos não foram feitos para serem inimigos.
Querida pessoa, os erros são apagados com borracha...
Eu vejo flores em você!!!
(sorrisos)
Beijos e me liga!

Andréa Mello

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Linha reta.


Traços da mão - vida
Traços da face - ferida
Arritmia do coração...
Os traços,
os troços,
as traças.
As trocas e o troco.
Oco.

Andréa Mello

sábado, 22 de novembro de 2008

Amor e dor


Morte viva,
alma que se desfaz -
dor,
amor-
carne que não se refaz.
Amanhã sem futuro,
presente sem presença,
Vazio cheio de tudo...
Coração enjaulado,
prisioneiro em liberdade.

Andréa Mello

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Ilusão


Os olhos rodam a roda - ilusão de ótica
O mundo parado gira - ilusão do mundo...
O que parece não é - ilusão da vida
É de verdade a mentira - ilusão de tudo...
Andréa mello

domingo, 16 de novembro de 2008

Reencontros



"Da-me reencontros de almas...as outras vidas que passaram por alguma vida minha. O amor já vivido, as amizades seladas num continuum de tempo infinito. Não o encontro novo, mas o encontro renovado!
Os laços feitos algures, que o tempo apertou.
Não o nó frouxo, quase sem sentido, almas não afins, trausentes sem direção a deixarem pegadas de areia...
Não o diálogo que não dá liga, o olhar que passou do ponto, que desanda, não anda.
Que não ata e nem desata.
Não flui.
Dá-me os reencontros subjetivos à primeira vista, com objetivos a perder de vista, com um quê de mistério pronto a ser desvendado, que entenderam-se fatalmente inseparáveis.
Que não têm desfecho digno de “grand finale” porque descobriram-se eternos.
Os encontros de alma, de corpo e de espírito.
Aquele que se adivinha profundo desde o primeiro encontro, que já nos é familiar, que nos dá licença para proclamarmos alguma frase com ar de Deja-vú: "Te conheço de algum lugar!" ou "Você não me é estranho!" ou " Parece que eu te conheço há tanto tempo!"
Que faz de nós adivinhos de um estranho acaso, quase que por acaso.
Um encontro que traz sensação de já ter acontecido, porque acontecera de fato!
Que é mais olhar que palavra, que inunda-nos de emoção e nos faz rir a toa...que nos faz voltar mais um pouquinho a nós mesmos, nos devolvendo a inteireza, preenchendo o vazio, e que nunca mais permite sermos a mesma pessoa..."


Andréa Mello