terça-feira, 25 de outubro de 2011

Escrevo


"Escrevo para despir a alma, para devolver-me a calma e anestesiar meus sentidos.
Escrevo para fugir de mim, para encontra-me em alguém, ou em algo, ou em nada.
Escrevo para perder-me na vastidão dos meus sonhos acumulados e sufocados pela friagem lá de fora dos meus versos.
Escrevo para ousar-me entendida mesmo que jamais compreendida...
Para falar uma língua inventada em meu próprio idioma...
Escrevo para brincar com a tristeza, fingindo ser alegria.
Para ousar a alegria e tê-la de fato.
Escrevo para desabafar os meus pertences sigilosos, o meu mundo vasto, tudo o que há dentro e fora e sempre e nunca...
Escrevo para me tornar o que não seria se as palavras não me alcançassem.
Escrevo para ser a personagem principal de um mundo fictício, tecido na trama real do dia a dia.
Escrevo para colorir o preto e o branco quando as tintas falham e a paisagem se torna opaca...
Escrevo para voar em meus pensamentos cheios de asas, e aterrizar em algum outro...
Escrevo para encenar a minha própria biografia.
Escrevo quando a alma quer explodir..."

-Andréa Mello-
Seu caminhar era tímido, medroso, por causa da valentia que perdera um dia. Sua coragem levou um golpe quando se preparava para voar mais e mais alto. Quebrou uma asa; agora apenas suportava, com sofreguidão, o vôo curto a qual fora sujeitada. Ficou impedida de ganhar altura, foi tolhida de sentir mais dor, caso caísse de novo. Estranhamente a dor a movia e ao mesmo tempo o medo a freava. Era esse o sinal que a fazia sentir mais viva porque era da própria dor que ressurgia resplandescente, como uma pérola...a dor a curava... Sua feridas cicatrizavam sua alma, como o amor que dói para se saber vivo.. Lamentou a visão do universo revelada lá do alto, que só ela poderia ter... Descobriu que a alma só é capaz de se apaixonar justamente no primeiro instante, no primeiro segundo em que o interessante é descortinado pelo olhar. Parecia ser esse o ápice da paixão: quando ela brota!E depois ela vai descrescendo cada vez que cresce, porque do contrário acho nunca acabaria! Bem, a paixão é contraditória e entendê-la é infinitamente pior do que entender as sua próprias contradições...É difícil, é como contar um céu cheio de estrelas.Depois da paixão, aos olhos limitados, parece que o que sobra é um sentimento qualquer. Diz-se por aí que se chama amor, mas o desprezam como se não fosse nada. Diz-se que é algo tão morno que não vivê-lo seria, talvez, uma opção sensata. Parece muitas vezes não significar ‘nada’.É tão sutil que passa desapercebido, tamanha a sua profundidade. Senti-lo requer refinamento da alma. Parece que poucos são capazes de serem agraciados pelo seu toque, pelo seu segredo maior. Tesouros são bem guardados e geralmente têm acesso difícil, porque se sabem preciosos. Não que o amor seja despresível, não que o amor não seja o maior sentimento do mundo, o mais pleno, o mais completo, mas não brota em qualquer coração, não permanece sem ser provado, até a última gota, lentamente, de gole em gole...se muitas vezes não é encontrado nas vãs ilusões em que às vezes se esconde, não poderá ser percebido - É preciso ousadia. Amor é pra quando se decide voar alto, não importa o risco do tombo; A paixão se tornou o amor que se acha que sente. Amor de verdade é traduzido por monotonia, tédio por aqueles que preferem não ousar. Tornou-se uma espécie de domingo chuvoso, uma espécie de nada.

-Andréa Mello-

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Con-vence-te!


"Con-vence-te que o céu é uma maneira de amar,
con-vence-te que o céu é uma forma de 'estar'.
Con-vence-te que o céu é um pensamento liberto,
Con-vence-te que o céu está dentro, está perto!
Con-vence-te que o céu é todo meu!
Con-vence-te que o céu também é seu!
É o passo seguinte depois da ilusão.
É o sopro sutil em uma bola de sabão..."


-Andréa Mello-