quarta-feira, 31 de agosto de 2011


"Sintonia perfeita é quando o silêncio não faz nenhum tipo de ruído..."

-Andréa Mello-

domingo, 21 de agosto de 2011

Mente que mente

"A mente, mente.
Abruptamente mente;
Disparadamente mente;
Inconsciente-mente.

A mente, mente.
Subitamente mente;
Insistententemente mente;
Surpreendente-mente.

A mente, mente.
Mente dor-mente. Mente.
Mente de-mente. Mente.
Mente profunda mente."

-Andréa Mello-

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Livre arbítrio


"Se é o coração que bate, porque ele mesmo apanha?
Se nele pulsa o amor, porque não expulsa de vez a dor?
Coração deveria ser sede da razão,
Sentir menos emoção,
E vir com manual de instrução.
Porque nem sempre se ama o que se deveria amar?
Se ao menos amar de mais fosse sempre bom...
Se ao menos não sentir amor não esvaziasse tanto...
Coração machuca sempre é nos extremos...
Coração deveria ter livre arbítrio."

-Andréa Mello-

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Balanço ao vento


"Avistei um balanço solitário
Balançando sozinho ao relento.
Num movimento continuo, ia e vinha,
Embalado num dia cinzento.
Ninguém brincava de balançar.
Quem balançava mesmo era o vento!
Aproveitava intensamente o momento,
Brincava feliz de rodopiar,
Livre, trépido e fagueiro
Gostava mesmo era de se mostrar!
E quando cansou da brincadeira
Foi-se apressado como um cometa
O vento seguiu seu destino.
Foi morar nas asas da borboleta."

-Andréa Mello-

Encontro

"Lentes de aumento nos detalhes.
Foco direcionado no momento.
Fotografias coloridas reveladas aos meus olhos...
Cada cena em câmera lenta...
Volto, pausa, avanço...
Lembro, relembro.
Stop!
Flashes na memória em preto e branco –
Flashback!
Congelo a cena final...
Come back!

-Andréa Mello-

domingo, 14 de agosto de 2011

HAI-KAIS

"Insônia.
Sonho acordada
Enquanto a noite cochila."


"Sua imagem
Acaricia meu pensamento.
Sorrio pro vento."



"Haikai
Consola a tristeza
Da lágrima que cai."



"Tristeza penetra
Entra pelos fundos
E sai pela fresta..."



" O luar reflete no mar:
Lua cheia de leão
E eu vazia de você."



"Agosto.
Desgosto.
Ao gosto de Deus."


"Acho graça:
A graça da vida
É de graça."


-Andréa Mello-

sábado, 6 de agosto de 2011

Vem!

“Ei, eu quero ver seu outro lado.
Vem, vou te curtir pelo avesso.
Dos nós faremos laços. De nós, nosso presente .
Ei, vem me mostrar o seu sorriso.
Vem, que eu tô a beira do abismo.
E nossas vidas vão se encontrar para eu não mais me perder.
Ei, eu quero ser sua metade.
Vem, pra minha parte ser inteira.
Nosso encontro não são em vão - dos dias vãos se vai a solidão. “

-Andréa Mello-

Excessos


Excessos sugam a fluidez da inspiração que respira na leveza do equilíbrio.
Excessos sufocam a liberdade dos atos, dando lugar à estagnação dos sentidos.
Excessos borram o leve colorido do outro, substituindo-o à uma opacidade quase agressiva.
Excessos assaltam severamente uma tranquilidade, enquanto entopem as artérias da criatividade.
Excessos produzem barulho ao invadirem o mais sagrado silêncio.
Excessos são rios de águas tumultuadas direcionando-se a nenhum lugar específico.
Excessos são caricaturas pobres da verdade; articulam exageros em sua excentricidade, fugindo ao bom gosto sereno da reserva.
Excessos frustram o balanço das horas - os segundos saltam aflitos ao desejo de adiantar um ritmo natural das coisas.
Excessos anulam processos profundos que rumam à um destino inadiável.
Excessos lança-nos às margens da estrada enquanto perdermos de vista o caminho do meio...
Excesso de presença produz cansaço; excesso de ausência produz saudade; excesso de saudade vira esquecimento..."

-Andréa Mello-

Pedido


"Vivo na antitese de meus dias.
Tornei-me cega de tanto enxergar.
Cega ao mundo, contemplo o seu mundo...
Percebo a luz que brilha em sua face cintilante, adornada com um ar convidativo a morar no seu templo, onde habitam as suas mil maravilhas.
Escuro está o nosso futuro, embora ainda seja clara a minha visão de sua alma por mim intocada, tal como a virgem que se guarda ao seu amado.
Observo com detalhes todas as camadas, os níveis, os cômodos que guardam seus tesouros mais profundos e silenciosos.
Suas alegorias são as tentavivas acertivas que me levam a contemplar Deus através de um diálogo encharcado de infinito.
Atenho-me a permanecer na antecâmara de sua morada, antes de ouvir o seu doce chamado a me conduzir por um portal de felicidade a adentrar em seu cômodo mais íntimo e fugidio, a fim de que eu acomode as bagagens pesadas de minha existência, abarrotadas de passado.
Permita-me aposentar os calçados que me conduziram a lugares ermos.
Conceda-me descarregar os excessos que entopem as vias de acesso a completude de mim mesma.
Permita-me encostar meus sonhos no travesseiro do seu peito, para que se desperte toda a nossa realidade...
Renova os meus planos.
Reveste a minha verdade.
Deixa-me existir no seu consolo."

-Andréa Mello-

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Querer


Neruda habla por mí esta noche. Estoy agotada por su ausencia ...


Querer

"No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.

Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.

En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego."

(Pablo Neruda)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Diálogo interno...


[Diálogo:]

- Diria eu esta noite: Mais uma noite! ou menos uma noite!

- Ter é ao mesmo tempo perder, porque do momento que nasce,tudo começa a morrer...

-Então, nada na verdade é?

-Se deixa de existir, verdadeiramente é?

- Não. Mas e o amor?

-Esse sim, se não pode acabar, não deixa de existir. Logo somente ele é!

-Mas e o meu amado que partiu?

-Ele partiu. Deixou de existir pra você, mas o amor não.

-Não?

-Não.

-E como faço pra tê-lo de volta?

-Quem? o seu amado?

-Sim.

-Ele acabou, mas seu amor sempre será!

-E como faço pra sentir esse amor?

-Ah...Muda ele de 'lugar'!

-Andréa Mello-

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Vem!


"Vem, prova meus olhos. O resto, deixa.
Não lhe dou inteira e nem meus outros sentidos -
Não faz sentido o alvo a não ser quando tu miras -
Há eternidade no momento concedido.
Há você inteiro em sua metade...
Vem, devolva-te! Olha e sente!
Conhece o teu ser desde mim.
Rasga o véu que te separa de ti..."

-Andréa Mello-

Mutante


"O gosto tornou-se desgosto num gole de café...
O doce se fez amargo na palavra que calou.
O destino virou desatino nos atos desatados.
O começo encontrou o fim do infinito imaginado...

Salve o amor!"

-Andréa Mello-

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Tesouro escondido


"À vista do cego, tesouros tornam-se bolas de gude...
Uma criança não usufrui de um valor, mas daquilo que tem valor.
Incompleta é a visão dos que engatinham pela senda da vida à procura do verdadeiro amor.Por anos seguimos atolados no pântano das contrariedades e rejeições próprias. O outro torna-se experiência viva de um amor distorcido, quando o amor verdadeiro ainda é incapaz de ter sido potencialmente experimentado. De início, negar o amor, mesmo que inconscientemente, parece necessário - sua imensidão nos oprime - liberdade torna-se prisão para aqueles que não têm asas.
Enxergá-lo é a visão mais clara e mais complexa dos olhos; seu brilho não está disponível à todo o olhar. Parece quase necessário um coração ser moído até o abismo, para que, como prêmio, seja desenterrado das entranhas.
Reconhecer o amor através do seu antídoto dor foi eleito o passo decisivo para que o conheçamos mais a fundo. Vislumbramos a Unidade pela visão da dualidade, tal como o fogo que ressurge da fricção de dois corpos.
E então, nascido da lama, torna-se como a flor de lótus mais brilhante pulsando vida abundante. Não se contamina, mas se renova a todo o tempo. Toma de volta sua própria essência, tornado-se autêntico pela sua incapacidade de ser diminuído. Reina com majestade porque agora pode ser multiplicado.
Lavado pelas lágrimas de outrora, torna-se tão branco e puro como o mais perfeito diamante; e agora, então, o seu valor pode ser entendido e usufruído plenamente..."

-Andréa Mello-