sábado, 6 de agosto de 2011

Excessos


Excessos sugam a fluidez da inspiração que respira na leveza do equilíbrio.
Excessos sufocam a liberdade dos atos, dando lugar à estagnação dos sentidos.
Excessos borram o leve colorido do outro, substituindo-o à uma opacidade quase agressiva.
Excessos assaltam severamente uma tranquilidade, enquanto entopem as artérias da criatividade.
Excessos produzem barulho ao invadirem o mais sagrado silêncio.
Excessos são rios de águas tumultuadas direcionando-se a nenhum lugar específico.
Excessos são caricaturas pobres da verdade; articulam exageros em sua excentricidade, fugindo ao bom gosto sereno da reserva.
Excessos frustram o balanço das horas - os segundos saltam aflitos ao desejo de adiantar um ritmo natural das coisas.
Excessos anulam processos profundos que rumam à um destino inadiável.
Excessos lança-nos às margens da estrada enquanto perdermos de vista o caminho do meio...
Excesso de presença produz cansaço; excesso de ausência produz saudade; excesso de saudade vira esquecimento..."

-Andréa Mello-

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