segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Tesouro escondido


"À vista do cego, tesouros tornam-se bolas de gude...
Uma criança não usufrui de um valor, mas daquilo que tem valor.
Incompleta é a visão dos que engatinham pela senda da vida à procura do verdadeiro amor.Por anos seguimos atolados no pântano das contrariedades e rejeições próprias. O outro torna-se experiência viva de um amor distorcido, quando o amor verdadeiro ainda é incapaz de ter sido potencialmente experimentado. De início, negar o amor, mesmo que inconscientemente, parece necessário - sua imensidão nos oprime - liberdade torna-se prisão para aqueles que não têm asas.
Enxergá-lo é a visão mais clara e mais complexa dos olhos; seu brilho não está disponível à todo o olhar. Parece quase necessário um coração ser moído até o abismo, para que, como prêmio, seja desenterrado das entranhas.
Reconhecer o amor através do seu antídoto dor foi eleito o passo decisivo para que o conheçamos mais a fundo. Vislumbramos a Unidade pela visão da dualidade, tal como o fogo que ressurge da fricção de dois corpos.
E então, nascido da lama, torna-se como a flor de lótus mais brilhante pulsando vida abundante. Não se contamina, mas se renova a todo o tempo. Toma de volta sua própria essência, tornado-se autêntico pela sua incapacidade de ser diminuído. Reina com majestade porque agora pode ser multiplicado.
Lavado pelas lágrimas de outrora, torna-se tão branco e puro como o mais perfeito diamante; e agora, então, o seu valor pode ser entendido e usufruído plenamente..."

-Andréa Mello-

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