sábado, 20 de fevereiro de 2010


"O tom exagerado de meus discursos, acrescido de palavras torneadas de emoções parecem diluir minha sofreguidão.
O desabafo no papel refresca a vontade de materializar o que ainda não saltou do futuro para ir de encontro ao presente.
Invento paixões com uma imaginação pueril, quase inocente.Verdadeiramente, anseio pelo príncipe de um cenário fictício que, amedrontado pela dura realidade, não ousa sair da fantasia de suas páginas para não correr o risco de perder o próprio encanto...
Fico estupefata ao pensar na impossibilidade de encontrar-me em seus braços e assim manter meu coração congelado pela morbidez de um corpo intocado pelas graças do amor que salva.
Por ora, no horizonte de minhas linhas abençoadas por um poema, reinam absolutos os sapos que um dia ousei coroar quando a cegueira tapou-me os olhos... Dou-lhes todo o afeto de meus excessos. Dou-lhes todo o carinho dos meus hiatos. Faço deles o personagem principal do enredo de minhas alegrias e das minhas dores vividas.Presenteio-lhes com um poema para lembrar minha própria importância...faço deles uma alquimia, simulando ter encontrado o amor clichê dos contos de fadas.
A imaginação salva o desamor."

-Andréa Mello-

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Uma nota...


"A noite empresta o silêncio à trama dos versos vividos, impressos na memória, selado pelo instante dissipado pela realidade desencontrada dos dias.
É amargo o doce que eu devoro - tenho sede de mastigar lentamente o destino e saciar-me com sua carne, a nutrir minha alma aflita, serva dos ditames do amor.

Corpos latejantes e arqueáveis são rendidos pelo poder da loucura do instante são, recobrado pelo primeiro suspiro em êxtase, que retoma a vida e a faz renascer. O adorno do brilho cintilante de um olhar a fitar-me na penumbra da noite enfeita meu corpo com carinho.

A despedida - malogro e pesar, como se não mais houvesse retorno possível no caminho feito de curvas perigosas - como se ´nunca mais´fosse o juramento fiel de um coração que agoniza de vontade de devorar a presença, tal como ´pra sempre´fosse um decreto cravejado de verdade...

O solilóquio de um coração vertiginoso desafina na solidão a clamar seu nome espargido ao vento, sem ecoar sua presença.
Eu, só, entre quatro paredes, rendida a ti, entrego os pontos desse jogo sem regras e sem jogador - é jogo de dados: sorte ou azar...

Tens a mim sem que me tenhas...
Tenho a ti sem que te possua...
É essa a liberdade que prende. É essa a cilada do amor..."

-Andréa Mello-