sábado, 20 de fevereiro de 2010


"O tom exagerado de meus discursos, acrescido de palavras torneadas de emoções parecem diluir minha sofreguidão.
O desabafo no papel refresca a vontade de materializar o que ainda não saltou do futuro para ir de encontro ao presente.
Invento paixões com uma imaginação pueril, quase inocente.Verdadeiramente, anseio pelo príncipe de um cenário fictício que, amedrontado pela dura realidade, não ousa sair da fantasia de suas páginas para não correr o risco de perder o próprio encanto...
Fico estupefata ao pensar na impossibilidade de encontrar-me em seus braços e assim manter meu coração congelado pela morbidez de um corpo intocado pelas graças do amor que salva.
Por ora, no horizonte de minhas linhas abençoadas por um poema, reinam absolutos os sapos que um dia ousei coroar quando a cegueira tapou-me os olhos... Dou-lhes todo o afeto de meus excessos. Dou-lhes todo o carinho dos meus hiatos. Faço deles o personagem principal do enredo de minhas alegrias e das minhas dores vividas.Presenteio-lhes com um poema para lembrar minha própria importância...faço deles uma alquimia, simulando ter encontrado o amor clichê dos contos de fadas.
A imaginação salva o desamor."

-Andréa Mello-

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