sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Uma nota...


"A noite empresta o silêncio à trama dos versos vividos, impressos na memória, selado pelo instante dissipado pela realidade desencontrada dos dias.
É amargo o doce que eu devoro - tenho sede de mastigar lentamente o destino e saciar-me com sua carne, a nutrir minha alma aflita, serva dos ditames do amor.

Corpos latejantes e arqueáveis são rendidos pelo poder da loucura do instante são, recobrado pelo primeiro suspiro em êxtase, que retoma a vida e a faz renascer. O adorno do brilho cintilante de um olhar a fitar-me na penumbra da noite enfeita meu corpo com carinho.

A despedida - malogro e pesar, como se não mais houvesse retorno possível no caminho feito de curvas perigosas - como se ´nunca mais´fosse o juramento fiel de um coração que agoniza de vontade de devorar a presença, tal como ´pra sempre´fosse um decreto cravejado de verdade...

O solilóquio de um coração vertiginoso desafina na solidão a clamar seu nome espargido ao vento, sem ecoar sua presença.
Eu, só, entre quatro paredes, rendida a ti, entrego os pontos desse jogo sem regras e sem jogador - é jogo de dados: sorte ou azar...

Tens a mim sem que me tenhas...
Tenho a ti sem que te possua...
É essa a liberdade que prende. É essa a cilada do amor..."

-Andréa Mello-

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