O dia desponta à altura das estrelas enclausuradas no breu do vasto céu.
A noite é a entranha da luz condensada em corpos celestes que dançam inertes aos olhos adormecidos.
A condição da luz é o escuro.
Vão-se os anos de escravidão, onde a prisão nada mais é do que achar-se preso...
Nascemos com um par de asas prontas e uma corrente solta nos pés:
Desatemos os imaginários nós de nós!
Não nos sirva de caminho as pegadas fincadas no efêmero chão de areia deste mundo.
O que nos resta para que sigamos livres?
A hora da espera freia o riso frente ao espanto do desconhecido.
O intervalo é semente que cresce em silêncio ao sabor da amarga expectativa do tempo.
Do sombrio ventre, a aurora da vida!
Os espinhos brotam para que se cumpra a missão das rosas.
Indissolúveis são os encontros atemporais e as horas não vividas.
Tudo o mais se deteriora no mesmo segundo em que nasce.
Tudo é de verdade quando deixa de existir na densidade da matéria que aprisiona.
-Andréa Mello-