domingo, 25 de outubro de 2009

Renovação


"Restos já não me restam.
Varro as minhas certezas, e das dúvidas que sobram sinto vastas possibilidades...
Já não vejo mapas e quase não olho as horas – o tempo não marca a felicidade!Já não sigo trilhas que indicam caminhos já percorridos - a minha estrada não permite atalhos!
Já não vejo a previsão do tempo, e quando a chuva cai, é pra abençoar o meu destino...
Os pensamentos modelam-se em formas precisas, de contornos claros e firmes.Acendo uma luz e acolho a minha própria escuridão, com um abraço fraterno de gratidão.
Clareio as sombras que revelam minhas verdades abafadas pela própria vida.
Quebro formas de concreto em mim, ilusões jamais concretizadas, cristalizadas pela minha cegueira vã.Sentimentos do passado, nutridos pelos momentos embrutecidos, são banidos de vez.
Agora sim! Estou cheia de meu próprio vazio, e sinto-me plena!Agora posso voar até o cume para alcançar o sol que nasce a cada dia!"

-Andréa Mello-

domingo, 18 de outubro de 2009

Afinidade


"É desafinando que um dia se afina - no meio dos grandes encontros, eis que surge a verdadeira afinidade...
O coração: o diapasão - é preciso achar o tom.
O tom de olhar, de sentir, de agir, de viver...
Afinal, não seríamos nós instrumentos de Deus com a missão de tocar cada coração?"

-Andréa Mello-

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Laços


Num breve confronto afronto a sua memória como um anjo injustiçado expulso de um paraíso de maravilhas.
A lembrança de nós requenta o seu sangue, livra-o da estação gélida e chuvosa em que te encontras - Uma estação onde faltam as flores, os aromas, os beija-flores...
Sim, eu sei que sou a insônia na madrugada que lhe faz dedilhar uma canção de ninar para embalar nossos momentos vividos, para resgatar o barco que nos levou em direção aos nossos sonhos e lhe deixou a esmo em um oceano de emoções - eu prometo lhe salvar de ti quando não aguentares mais remar contra a maré...
Tens a fome de abraçar o que de mais verdadeiro compartilhamos sem que tivéssemos dividido por inteiro...
Tens a sede voraz de beber a última gota de suor do meu corpo derramada em seu nome, para saciar-lhe os sentidos enfraquecidos pela minha ausência.
Tens o medo de revelar a ti mesmo o quanto ainda me queres.
Sou eu que componho sua mente, suas notas no papel, e a todo o tempo renasço, ao nascer uma nova canção em uma nota que fala de saudade...
Tens o olhar atento a me observar pela fresta devassada de um mundo virtual, e eu te encaro igualmente com ar de docilidade, e então permanecemos frente a frente, mesmo que distantes.
Me sinto em seu olhar, em seus gestos, em seu sorriso.
E então, nos tocamos sem sentir, nos sentimos sem nos tocar.
Eu ainda me reconheço em ti.
Me reconheço em ti.
Ainda.

-Andréa Mello-