
Gente bonita no dicionário mundano significa: gente Rica, (e/ou) bonita, (e/ou) famosa, (e/ou)poderosa, (e/ou) glamourosa, feia e rica, feia e famosa, feia e poderosa, feia e glamourosa... Sim, se os feios possuem algum quesito acima acrescido à sua “não beleza” exterior (eu estou dizendo EXTERIOR), são considerados LINDOS! A conta bancária parece reluzir em seus rostos como fonte de beleza eterna. O glamour, a fama brilham como diamante aos olhos dos embriagados mundanos. Suas consciências dormem.
Cegos espiritualmente, muitas vezes cambaleamos a procura de faces belas, porém totalmente desprovidas do brilho dos olhos... Buscamos corpos esculturais, desprovidos da graça de um gesto imaculado de bondade...
Se pudessemos enxergar verdadeiramente o que muitas vezes se esconde por detrás de muita beleza exterior por aí, ficariamos estupefatos. Jesus se referiu a essas pessoas como túmulos caiados: Bonitos por fora, mas cheios de imundície por dentro. Cheios de podridões e superficialidades. Isto é: Pessoas verdadeiramente feias! Totalmente robotizadas por um mundo perverso, que nos sugere vender nossas almas em troca do ouro do tolo. Pessoas que se sujeitam a viver do que não são e a viver o que não são pela simples aparência de parecer ser. Que se disfarçam na própria ilusão para se sentirem valorizadas perante sua insignificância fútil intrínseca! Que procuram se passar pela glória de ser ‘trigo’, mas nada mais são do que ‘joio’: Improdutivos em essência. Que se misturam com multidões de iguais para tentarem se sobressair como diferentes frente à ignorância dos mesmos...que foram destituídas de valores por livre escolha da desconexão com o Divino. Que têm vergonha de ser educados, amorosos, gentis, espiritualizados e assim, vão permanecendo fossilizados na brutalidade do próprio ser. Mudaram seus vocabulários, seus hábitos, seus gostos, suas maneiras numa tentativa de se ‘modernizarem’ e de se igualarem à massa. Seu nome passa a ser LEGIÃO, porque são muitos! Parecem mais ter mais uma alma grupal como a dos cardumes, porque agem com a consciência do bando... Passam neste mundo sem deixar pegadas firmes, desaparecem juntamente com o corpo que tomba em vão e segue em seu repouso eterno a sete palmos do chão! Dessa maneira, se afastam dos valores essenciais, e então, corrompidos pela perversidade e acostumados com o mesmo, passam a enxergar tudo ao contrário do que é de fato: o feio passa a ser belo, o belo passa a ser feio, o vulgar passa a ser normal. Seus sentidos enlouqueceram! O que julgam e discriminam não passa de um auto julgamento e do valor atribuído a eles por eles próprios, ainda que velado e não confesso. E assim vão seguindo, abafando cada vez mais a própria Luz interior.
Reclamamos da falta de amor verdadeiro que nós mesmos temos extinguido em troca de paixões fabricadas por um drink, por uma noite de vidro que se espatifa diante de cada olhar que se abre na manhã seguinte.
Deixamos penetrar em nossos ouvidos uma canção prostituída de Lady Gaga, a cantamos quase como uma prece, e ficamos incomodamos com o silêncio puro, divino, renovador que fala alto ao coração a cada pausa meditativa que a noite de sono nos sugere.
As lembranças de Deus tornaram-se lapsos de memória, cada vez mais esquecidas dentro de nós mesmos. Lembramos de Jesus no dia de Natal somente como uma referência a nosso próprio egoísmo e esquecemos de lembrar de Sua presença e de Seu presente, que na verdade é devolvido à nós mesmos, e que o único presente que podemos lhe dar é o nosso retorno à Verdade, ao Amor e à Vida em excelência.
Temos trilhado caminhos de Morte. Morte de tudo o que é belo, verdadeiro, eterno, imperecível. Morte do corpo e da alma. Temos preferido enxergar na escuridão, sujeitos a cairmos no abismo profundo e irrecuperável de nossas almas. Trocamos 70 anos de miséria pela eternidade da Glória. Compramos a miséria da velhice em troca dos desejos desenfreados pela nossa boca e ventre. Ao longo dos anos vamos fazendo de nós depósitos de doenças e misérias, e no fim, culpamos o Alto pelos nosso sofrimentos fabricados por nossas próprias mãos. Vivemos com muito pouco, buscamos muito pouco e nos sentimos contraditoriamente saciados em meio ao vazio que, no fundo, sabemos. Sentimos a plenitude do vácuo, como se ele realmente tivesse o poder de nos preencher. Somos ricamente pobres. Somos tudo ao contrário do que realmente É.
Ascendamos uma Luz enquanto é tempo, como a estrela solitária que lembra à noite o poder do seu brilho infinito...
(Andréa Mello)