Seu caminhar era tímido, medroso, por causa da valentia que perdera um dia. Sua coragem levou um golpe quando se preparava para voar mais e mais alto. Quebrou uma asa; agora apenas suportava, com sofreguidão, o vôo curto a qual fora sujeitada. Ficou impedida de ganhar altura, foi tolhida de sentir mais dor, caso caísse de novo. Estranhamente a dor a movia e ao mesmo tempo o medo a freava. Era esse o sinal que a fazia sentir mais viva porque era da própria dor que ressurgia resplandescente, como uma pérola...a dor a curava... Sua feridas cicatrizavam sua alma, como o amor que dói para se saber vivo.. Lamentou a visão do universo revelada lá do alto, que só ela poderia ter... Descobriu que a alma só é capaz de se apaixonar justamente no primeiro instante, no primeiro segundo em que o interessante é descortinado pelo olhar. Parecia ser esse o ápice da paixão: quando ela brota!E depois ela vai descrescendo cada vez que cresce, porque do contrário acho nunca acabaria! Bem, a paixão é contraditória e entendê-la é infinitamente pior do que entender as sua próprias contradições...É difícil, é como contar um céu cheio de estrelas.Depois da paixão, aos olhos limitados, parece que o que sobra é um sentimento qualquer. Diz-se por aí que se chama amor, mas o desprezam como se não fosse nada. Diz-se que é algo tão morno que não vivê-lo seria, talvez, uma opção sensata. Parece muitas vezes não significar ‘nada’.É tão sutil que passa desapercebido, tamanha a sua profundidade. Senti-lo requer refinamento da alma. Parece que poucos são capazes de serem agraciados pelo seu toque, pelo seu segredo maior. Tesouros são bem guardados e geralmente têm acesso difícil, porque se sabem preciosos. Não que o amor seja despresível, não que o amor não seja o maior sentimento do mundo, o mais pleno, o mais completo, mas não brota em qualquer coração, não permanece sem ser provado, até a última gota, lentamente, de gole em gole...se muitas vezes não é encontrado nas vãs ilusões em que às vezes se esconde, não poderá ser percebido - É preciso ousadia. Amor é pra quando se decide voar alto, não importa o risco do tombo; A paixão se tornou o amor que se acha que sente. Amor de verdade é traduzido por monotonia, tédio por aqueles que preferem não ousar. Tornou-se uma espécie de domingo chuvoso, uma espécie de nada.
-Andréa Mello-



Nenhum comentário:
Postar um comentário