
Num breve confronto afronto a sua memória como um anjo injustiçado expulso de um paraíso de maravilhas.
A lembrança de nós requenta o seu sangue, livra-o da estação gélida e chuvosa em que te encontras - Uma estação onde faltam as flores, os aromas, os beija-flores...
Sim, eu sei que sou a insônia na madrugada que lhe faz dedilhar uma canção de ninar para embalar nossos momentos vividos, para resgatar o barco que nos levou em direção aos nossos sonhos e lhe deixou a esmo em um oceano de emoções - eu prometo lhe salvar de ti quando não aguentares mais remar contra a maré...
Tens a fome de abraçar o que de mais verdadeiro compartilhamos sem que tivéssemos dividido por inteiro...
Tens a sede voraz de beber a última gota de suor do meu corpo derramada em seu nome, para saciar-lhe os sentidos enfraquecidos pela minha ausência.
Tens o medo de revelar a ti mesmo o quanto ainda me queres.
Sou eu que componho sua mente, suas notas no papel, e a todo o tempo renasço, ao nascer uma nova canção em uma nota que fala de saudade...
Tens o olhar atento a me observar pela fresta devassada de um mundo virtual, e eu te encaro igualmente com ar de docilidade, e então permanecemos frente a frente, mesmo que distantes.
Me sinto em seu olhar, em seus gestos, em seu sorriso.
E então, nos tocamos sem sentir, nos sentimos sem nos tocar.
Eu ainda me reconheço em ti.
Me reconheço em ti.
Ainda.
-Andréa Mello-



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