terça-feira, 30 de junho de 2009

Quem saberá?



"Os pensamentos voam desvairados por um lugar proibido, um mundo já habitado e complexo; lançam-se no escuro, acertam o alvo errado, com um impulso desbravador de uma força ainda desconhecida.
Essa mesma força me encara com um ar desafiador, na tentativa de testar o meu anjo ou meu demônio, na ânsia de saber quem irá sucumbir na hora ardilosa em que me encontro.
Direciono meus impulsos às estrelas, minhas intenções ao universo, como se deles fosse a responsabilidade de conduzir-me à quintaessência do meu desejo.
Libero resquícios que o amor herdou a mim, a desejar que siga de encontro a um mundo novo, que fale uma só língua, que traduza o amor em qualquer circunstância. Me debato com o eco do seu nome, que retorna à minha própria direção, ao encontrar-lhe numa barreira quase intransponível.
A vontade se comprime pela inércia que me paralisa, pelo receio que me assola, pelas mãos que se esfriam frente a um coração caloroso.
A não ação é a minha ação, pois atado está o destino.
Atadas estão minhas mãos, embora livres, e toda a extensão de mim.
Somente o ato a desatar o nó contido nesse estranho laço de ternura, a conduzir-me a um redemoinho de emoções.
Não sei aonde irei parar, pois não posso seguir!
Não sei aonde irei chegar, pois a estrada está interditada, e não há retorno possível - não há volta ao passado! E o futuro, esse tempo tão misterioso, que é todo o momento depois do absoluto agora, esse tempo onde moram os sonhos e se fabrica a realidade, faz um leve aceno a mim, como se quisesse me dar boas vindas à um mundo a ser conquistado, ou apenas me preparar para o breve adeus, sem que eu jamais tenha adentrado esse novo universo..."

-Andréa Mello-

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