sábado, 4 de abril de 2009

"Éle"


Grito ao papel , a voz desenfreada em minha mente - estranha tagarelice do meu silêncio. Num ímpeto voraz, regresso aos fragmentos de uma história abreviada por um golpe fatal - ferida exposta ao mundo.
O corte abrupto do destino sangra a consciência dilacerada pela saudade de uma saudade sequer sentida.
Questiono-me numa sentença de condenação aos meus atos, a apontar-me o dedo para um futuro vazio de nossa paisagem perdida.
Flashes na memória remetem-me à cena um: olhares, faróis do caminho, a encontrarem-se "em algum lugar do passado", a selar o encontro predestinado... Teria sido o amor, de tão profundo, a mim sequer revelado?
Teriam meus sentidos enlouquecido à ausência de minha presença em mim mesma, abafados pela insanidade egóica em que me encontrava?
Teria sido cedo demais, embora tarde demais nesta hora?
E eu, ingênua de mim, confusa em meus próprios passos que sequer avançavam à concretização de nós, enganada pelo meu próprio ser desconhecido, atirei-me, impiedosamente, ao precipício de nossa própria solidão, como se ainda o amor não tivesse brotado, ou como se ele pudesse morrer...
Resta-me a canção eternizada em sua voz, a percorrer sua melodia pelas altas esferas, como uma súplica, a levar-me de volta ao lugar que eu jamais deveria ter saído...

(Andréa Mello)

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