sábado, 4 de julho de 2009

Sem respostas


"Por onde anda o caminho de quem não se encontrou, a estrada que ninguém passou, a flor que ninguém fitou?
Por onde segue o vento que me soprou uma inspiração, que refez minha ilusão ao deitar sereno num poema manso a escrever alguma forma de amor?
Por onde seguem as vidas que me desconstruíram, fazendo-me imergir das cinzas?
Qual fora o tombo que me furtou a espontaneidade, que acendeu meu medo, induziu-me a sabotar as minhas ânsias mais ousadas, mas tornou-me intacta na força de meu próprio ser?
Qual fora a palavra que calei para sempre, impedindo-me de avançar em alguma direção a me mostrar a meta a ser alcançada?
Qual fora o silêncio que gritei, perdendo para sempre a mensagem final?
Pra onde seguira o choro contido e o sorriso travado pela insensibilidade que me camuflou? Estaria ainda dentro de mim, pronto pra ser transbordado, ou saiu-me pelos poros, de encontro a quem o queira manifestar?
Qual fora o momento certo na hora errada? Qual fora a hora certa
no momento inoportuno?
Quem responderá às perguntas sem respostas?
Quem encontrará os sonhos perdidos no caminho?
Quem transformará a tristeza em felicidade, suavizando os pés cansados de trilhar o caminho íngreme que conduz ao cume?"

-Andréa Mello-

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